{"id":29151,"date":"2026-04-06T07:57:18","date_gmt":"2026-04-06T10:57:18","guid":{"rendered":"https:\/\/zerohoranews.com\/?p=29151"},"modified":"2026-04-06T07:57:18","modified_gmt":"2026-04-06T10:57:18","slug":"eleitores-do-entorno-atravessam-a-divisa-entre-goias-e-o-df-para-votar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zerohoranews.com\/?p=29151","title":{"rendered":"Eleitores do Entorno atravessam a divisa entre Goi\u00e1s e o DF para votar"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mais de 246 mil pessoas cruzam diariamente o Entorno rumo ao DF, e parte delas tamb\u00e9m levar\u00e3o o t\u00edtulo de eleitor em outubro, alterando a din\u00e2mica pol\u00edtica e a representatividade na capital<\/h2>\n\n\n\n<p><small>\u00e1 10 anos, Jonas cruza a fronteira entre GO e DF &#8211; (cr\u00e9dito: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A.Press)<\/small><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaB1U9a002T64ex1Sy2w\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diariamente, mais de 240 mil pessoas se deslocam do Entorno para o Distrito Federal, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domic\u00edlios Ampliada (PDAD-A) de 2024. Mais do que uma din\u00e2mica geogr\u00e1fica, esse fluxo revela um movimento simb\u00f3lico de pertencimento: ao trabalhar, estudar e acessar servi\u00e7os p\u00fablicos na capital, muitos desses cidad\u00e3os passam a reconhecer o DF como sua refer\u00eancia cotidiana, deslocando, na pr\u00e1tica, sua identifica\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo acaba se refletindo no exerc\u00edcio da cidadania. Ao estabelecer v\u00ednculos com a capital, parte dessa popula\u00e7\u00e3o opta por transferir o t\u00edtulo de eleitor, levando para o DF n\u00e3o apenas sua rotina, mas sua participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), nos \u00faltimos 20 anos, a capital recebeu mais de 550 mil eleitores aptos. (<strong>Veja gr\u00e1ficos<\/strong>)Play Video<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2026\/04\/04\/grafico-pessoas-voto-65846175.jpg\" alt=\"grafico pessoas voto\" title=\"grafico pessoas voto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">grafico pessoas voto<small>(foto: editoria de arte)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, essa rotina ganha rosto nas hist\u00f3rias de quem cruza a divisa todos os dias. \u00c9 o caso de Francisco Lima, 59. H\u00e1 um ano morando em Valpara\u00edso (GO), ele mant\u00e9m o t\u00edtulo de eleitor em Santa Maria e n\u00e3o pretende mudar isso t\u00e3o cedo. A decis\u00e3o passa menos pelo endere\u00e7o e mais pelo projeto de vida. Lima se prepara para um concurso na \u00e1rea do Judici\u00e1rio e, caso seja aprovado, deve atuar no DF \u2014 o que refor\u00e7a o v\u00ednculo com a capital. Ele diz que se sente mais impactado pelas pol\u00edticas p\u00fablicas daqui. &#8220;Trabalhei na pol\u00edtica h\u00e1 muitos anos. Sa\u00ed candidato duas vezes, e acho que aqui tem muito o que fazer. N\u00e3o que em Goi\u00e1s n\u00e3o tenha. Muito pelo contr\u00e1rio. Mas eles j\u00e1 t\u00eam os representantes que as pessoas mais confiam. No DF, infelizmente, a situa\u00e7\u00e3o precisa mudar&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, para alguns, o v\u00ednculo \u00e9 projetado no futuro, para outros ele \u00e9 constru\u00eddo no dia a dia, no ritmo do trabalho. Aos 26 anos, Jonas Vin\u00edcius atravessa a divisa entre Goi\u00e1s e o DF h\u00e1 uma d\u00e9cada. Morador de Luzi\u00e2nia, ele trabalha como gar\u00e7om no Lago Norte e decidiu transferir o t\u00edtulo de eleitor para Bras\u00edlia. &#8220;Moro l\u00e1 por causa do custo de vida, especialmente o valor da moradia, mas \u00e9 no DF que me sinto representado politicamente&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma l\u00f3gica se repete entre quem ainda n\u00e3o formalizou a mudan\u00e7a, mas j\u00e1 se reconhece mais na capital do que na cidade onde vive. Moradora de Valpara\u00edso, Ediniuza Francisca da Silva, 52, trabalha h\u00e1 quase 30 anos no DF como auxiliar de servi\u00e7os gerais. A rotina, marcada por deslocamentos constantes, aproxima sua vida da capital \u2014 inclusive nas demandas por infraestrutura e mobilidade. Apesar disso, a transfer\u00eancia do t\u00edtulo ainda n\u00e3o saiu do papel. &#8220;Preciso me organizar, mas minha vontade \u00e9 realmente essa&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros casos, a escolha pelo voto no DF est\u00e1 diretamente ligada ao uso cotidiano dos servi\u00e7os p\u00fablicos. \u00c9 o que explica Rafaela da Costa, 41. Moradora de \u00c1guas Lindas (GO), ela trabalha como assistente social em Bras\u00edlia e decidiu manter o t\u00edtulo na capital justamente por viver ali grande parte do dia. &#8220;Me sinto mais representada aqui, porque pego o tr\u00e2nsito todos os dias. Com frequ\u00eancia, preciso tomar uma vacina em Bras\u00edlia. Recentemente, liberaram a da gripe, por exemplo, que utilizo. \u00c0s vezes, tamb\u00e9m vou \u00e0s unidades b\u00e1sicas de Sa\u00fade&#8221;, relata.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fluxo di\u00e1rio<\/h3>\n\n\n\n<p>Esse conjunto de trajet\u00f3rias individuais reflete um movimento mais amplo. O diretor da Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas Ambientais e Territoriais do Instituto de Pesquisa e Estat\u00edstica do Distrito Federal (IPEDF), Werner Bessa Vieira, explica que, segundo o PDAD-A de 2024, o fluxo di\u00e1rio entre o Entorno e o Distrito Federal \u00e9 expressivo. &#8220;Aproximadamente 201.765 pessoas se deslocam diariamente para o DF por motivo de trabalho, o que representa 40,6% da popula\u00e7\u00e3o ocupada da Periferia Metropolitana de Bras\u00edlia. Para estudo, s\u00e3o cerca de 44 mil pessoas, ou 12,5% dos estudantes&#8221;, detalha. Somados, os dois grupos chegam a cerca de 246 mil deslocamentos di\u00e1rios. Entre as cidades com maior participa\u00e7\u00e3o nesses fluxos est\u00e3o \u00c1guas Lindas de Goi\u00e1s, Valpara\u00edso de Goi\u00e1s, Novo Gama, Luzi\u00e2nia e Planaltina (GO).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista socioecon\u00f4mico, Vieira destaca que esse movimento revela uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e complementaridade entre o Entorno e o DF. &#8220;H\u00e1 uma depend\u00eancia significativa do transporte p\u00fablico para o deslocamento ao trabalho no DF, enquanto, para atividades dentro do pr\u00f3prio munic\u00edpio, h\u00e1 maior uso de transporte privado e mobilidade ativa&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor de pol\u00edticas p\u00fablicas do Ibmec Bras\u00edlia, Jackson De Toni, as fronteiras geogr\u00e1ficas entre o Entorno e o Distrito Federal tornam mais complexa o que ele define como &#8220;geografia do voto&#8221;, uma vez que grande parte da popula\u00e7\u00e3o do Entorno trabalha, estuda e utiliza servi\u00e7os p\u00fablicos no DF. A manuten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de eleitor na capital torna-se uma pr\u00e1tica recorrente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dados hist\u00f3ricos da Justi\u00e7a Eleitoral j\u00e1 demonstraram que cerca de 10% do eleitorado da capital \u2014 algo em torno de 100 mil pessoas, em levantamentos anteriores \u2014 vive nos 13 munic\u00edpios goianos mais pr\u00f3ximos. Em localidades como Luzi\u00e2nia, estimativas de autoridades eleitorais j\u00e1 apontaram que at\u00e9 30% dos eleitores locais n\u00e3o haviam transferido seus t\u00edtulos para a cidade, preferindo votar no DF&#8221;, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista tamb\u00e9m cita levantamentos que indicam a intensidade desse movimento ao longo dos anos. &#8220;Entre 2006 e 2010, mais de 32 mil pessoas de 21 cidades do Entorno transferiram seu domic\u00edlio eleitoral de volta para o DF. O impacto disso \u00e9 significativo quando lembramos que, em uma daquelas elei\u00e7\u00f5es, a diferen\u00e7a que impediu a vit\u00f3ria de um governador j\u00e1 no primeiro turno foi de apenas 22 mil votos&#8221;, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>De Toni avalia que a migra\u00e7\u00e3o e a sobreposi\u00e7\u00e3o eleitoral geram efeitos pol\u00edticos relevantes. &#8220;Os moradores do Entorno acabam abrindo m\u00e3o de influenciar diretamente a escolha de prefeitos e deputados estaduais goianos, que t\u00eam poder sobre a infraestrutura e a seguran\u00e7a dos locais onde vivem. Ao mesmo tempo, o volume de eleitores dessa regi\u00e3o \u00e9 t\u00e3o expressivo que nenhum candidato competitivo ao governo do DF ou \u00e0 C\u00e2mara Legislativa pode se dar ao luxo de ignor\u00e1-los&#8221;, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Migra\u00e7\u00e3o eleitoral<\/h3>\n\n\n\n<p>Ao analisar a evolu\u00e7\u00e3o do eleitorado do Distrito Federal nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o pesquisador do Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade de Bras\u00edlia (Ipol\/UnB), Robson Carvalho, destaca o crescimento expressivo como um indicativo de migra\u00e7\u00e3o eleitoral. &#8220;Se voc\u00ea considerar os \u00faltimos 10 anos, como mostram esses dados, n\u00f3s temos praticamente o equivalente a uma capital como Natal migrando para o DF&#8221;, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, embora n\u00e3o haja informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre a origem desses eleitores ou compara\u00e7\u00f5es com outras capitais, os n\u00fameros revelam um fluxo intenso de pessoas se direcionando \u00e0 capital federal. &#8220;Talvez por quest\u00e3o de mais estrutura, de mais oportunidades de trabalho, quest\u00e3o de transportes urbanos tamb\u00e9m, e com menos, teoricamente, problemas no pr\u00f3prio entorno, o que seria a regi\u00e3o metropolitana, ele como sendo a cabe\u00e7a dessa regi\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador destaca que, em geral, eleitores tendem a fazer escolhas mais informadas quando votam no local onde vivem. &#8220;O natural \u00e9 que as pessoas que residem no lugar que j\u00e1 conhecem aquele lugar, os seus problemas, que conhe\u00e7am teoricamente os poss\u00edveis representantes, fa\u00e7am melhores escolhas para os seus representantes&#8221;, afirmou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Carvalho chama aten\u00e7\u00e3o para poss\u00edveis efeitos na distribui\u00e7\u00e3o de cadeiras legislativas, que segue crit\u00e9rios populacionais definidos a partir de dados do IBGE. &#8220;A representa\u00e7\u00e3o \u00e9 proporcional \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, e h\u00e1 uma discuss\u00e3o em andamento sobre a redistribui\u00e7\u00e3o dessas cadeiras. O Distrito Federal n\u00e3o perde o m\u00ednimo de representantes, mas pode ganhar mais, dependendo da varia\u00e7\u00e3o populacional em rela\u00e7\u00e3o aos outros estados&#8221;, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador avalia que o fen\u00f4meno influencia campanhas eleitorais e levanta preocupa\u00e7\u00f5es sobre mudan\u00e7as oportunistas de domic\u00edlio eleitoral, especialmente entre pol\u00edticos. &#8220;Isso impacta o discurso dos candidatos, que passam a abordar temas como mobilidade, transporte e acesso a servi\u00e7os. Mas h\u00e1 um problema mais grave quando pol\u00edticos mudam de domic\u00edlio sem qualquer v\u00ednculo com a regi\u00e3o, apenas por conveni\u00eancia eleitoral&#8221;, critica. Para ele, esse tipo de pr\u00e1tica compromete a legitimidade da representa\u00e7\u00e3o e pode afetar diretamente a qualidade das decis\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 246 mil pessoas cruzam diariamente o Entorno rumo ao DF, e parte delas tamb\u00e9m levar\u00e3o o t\u00edtulo de eleitor em outubro, alterando a din\u00e2mica pol\u00edtica e a representatividade na capital \u00e1 10 anos, Jonas cruza a fronteira entre GO e DF &#8211; (cr\u00e9dito: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A.Press) Diariamente, mais de 240 mil pessoas se deslocam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29151"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29153,"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29151\/revisions\/29153"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/29152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zerohoranews.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}