{"id":35366,"date":"2026-09-12T04:04:57","date_gmt":"2026-09-12T07:04:57","guid":{"rendered":"https:\/\/zerohoranews.com\/?p=35366"},"modified":"2026-09-12T04:04:57","modified_gmt":"2026-09-12T07:04:57","slug":"df-tera-menos-padres-e-pastores-candidatos-nas-urnas-entenda-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zerohoranews.com\/?p=35366","title":{"rendered":"DF ter\u00e1 menos padres e pastores candidatos nas urnas. Entenda por qu\u00ea"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>Pastor, padre, m\u00e3e de santo e mission\u00e1rio<\/strong> s\u00e3o termos que, em 2026, <strong>aparecer\u00e3o menos nas urnas.<\/strong> O n\u00famero de candidatos que usam t\u00edtulos religiosos no nome de urna caiu no Distrito Federal: s\u00e3o 17 candidaturas neste ano, contra 23, em 2022.<\/p>\n<p>Ter um t\u00edtulo religioso no nome de urna, por\u00e9m, n\u00e3o significa que a atividade religiosa seja a ocupa\u00e7\u00e3o principal do candidato. Das 17 candidaturas do DF que adotam t\u00edtulos religiosos em 2026, apenas quatro declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a atividade religiosa como profiss\u00e3o. As demais informaram outras profiss\u00f5es, como empres\u00e1rio, recepcionista e psic\u00f3logo, embora tamb\u00e9m atuem como lideran\u00e7as religiosas.<strong> Em 2022, a propor\u00e7\u00e3o era ainda menor: s\u00f3 tr\u00eas dos 23 candidatos com t\u00edtulo religioso tinham a atividade como ocupa\u00e7\u00e3o principal.<\/strong><\/p>\n<h2>Entenda o porqu\u00ea<\/h2>\n<p>A queda n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno isolado do Distrito Federal: no Brasil inteiro, o n\u00famero de candidatos com termos religiosos no nome de urna recuou 42%. Para Matheus Pestana, cientista pol\u00edtico e pesquisador do Instituto de Estudos da Religi\u00e3o (ISER), ainda \u00e9 cedo para apontar uma causa \u00fanica. Para ele, o fen\u00f4meno tem v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e \u00e9 tema de debate h\u00e1 anos. Uma das hip\u00f3teses \u00e9 a de que os candidatos estejam mudando de<strong> estrat\u00e9gia eleitoral.<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"m-blockquote m-destaque\">\n<p>\u201cTalvez o t\u00edtulo religioso tenha sido muito importante para determinados candidatos, em momentos de expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o das suas bases. Mas pode deixar de ser considerado necess\u00e1rio quando aquela lideran\u00e7a j\u00e1 possui o reconhecimento p\u00fablico ou quando a sua campanha j\u00e1 \u00e9 focada no p\u00fablico religioso\u201d, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para Pestana, a decis\u00e3o tamb\u00e9m pode vir do interesse em ampliar o n\u00famero de votos, buscando <strong>aceita\u00e7\u00e3o<\/strong> de diferentes grupos de eleitores. \u201cEu suspeito que seja por uma estrat\u00e9gia de maximiza\u00e7\u00e3o de votos. Por vezes a pessoa v\u00ea que o candidato coloca o nome de pastor e talvez n\u00e3o vote. Se n\u00e3o tem pastor, mas ele concorda com as ideias, ainda que a pessoa seja pastora, o eleitor pode fazer esse c\u00e1lculo racional\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029Vb5fRx32phHRJiFmFr3W\" class=\"flex justify-center items-center gap-3 px-3 py-2.5 bg-green-500 text-white! no-underline! font-bold rounded-full my-4\"><span class=\"inline-flex gap-3 items-center max-w-10\/12 text-sm leading-4.5 font-semibold font-sans tracking-tighter whitespace-pre-line md:whitespace-normal xs:max-w-9\/12 md:text-lg md:max-w-full\"><svg width=\"40\" height=\"40\" viewbox=\"0 0 24 24\" fill=\"currentColor\" aria-hidden=\"true\" class=\"shrink-0\"><path d=\"M17.472 14.382c-.297-.149-1.758-.867-2.03-.967-.273-.099-.471-.148-.67.15-.197.297-.767.966-.94 1.164-.173.199-.347.223-.644.075-.297-.15-1.255-.463-2.39-1.475-.883-.788-1.48-1.761-1.653-2.059-.173-.297-.018-.458.13-.606.134-.133.298-.347.446-.52.149-.174.198-.298.298-.497.099-.198.05-.371-.025-.52-.075-.149-.669-1.612-.916-2.207-.242-.579-.487-.5-.669-.51-.173-.008-.371-.01-.57-.01-.198 0-.52.074-.792.372-.272.297-1.04 1.016-1.04 2.479 0 1.462 1.065 2.875 1.213 3.074.149.198 2.096 3.2 5.077 4.487.709.306 1.262.489 1.694.625.712.227 1.36.195 1.871.118.571-.085 1.758-.719 2.006-1.413.248-.694.248-1.289.173-1.413-.074-.124-.272-.198-.57-.347m-5.421 7.403h-.004a9.87 9.87 0 01-5.031-1.378l-.361-.214-3.741.982.998-3.648-.235-.374a9.86 9.86 0 01-1.51-5.26c.001-5.45 4.436-9.884 9.888-9.884 2.64 0 5.122 1.03 6.988 2.898a9.825 9.825 0 012.893 6.994c-.003 5.45-4.437 9.884-9.885 9.884m8.413-18.297A11.815 11.815 0 0012.05 0C5.495 0 .16 5.335.157 11.892c0 2.096.547 4.142 1.588 5.945L.057 24l6.305-1.654a11.882 11.882 0 005.683 1.448h.005c6.554 0 11.890-5.335 11.893-11.893A11.821 11.821 0 0020.465 3.488\"\/><\/svg>Entre no canal de WhatsApp <!-- --><br \/>\n<!-- -->do<!-- --> <!-- -->Metr\u00f3poles DF<\/span><\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 para Christina Vital, professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia da Universidade Federal Fluminense e coordenadora do LePar\/UFF, os n\u00fameros n\u00e3o revelam, por si s\u00f3, que a identidade religiosa perdeu relev\u00e2ncia eleitoral. Segundo ela, usar a identidade religiosa como chamariz eleitoral n\u00e3o \u00e9 mais novidade, e isso ajuda a explicar por que o recurso perdeu for\u00e7a com o tempo. A professora aponta, ainda, outros fatores por tr\u00e1s da queda, como o crescimento de candidatos ligados a outras pautas, caso da <strong>Seguran\u00e7a P\u00fablica e Justi\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"m-blockquote m-destaque\">\n<p>\u201cOutra quest\u00e3o diz respeito ao cansa\u00e7o em torno do debate pol\u00edtica e religi\u00e3o exaurindo, principalmente, a rela\u00e7\u00e3o de evang\u00e9licos neste ambiente, que eram os que mais propagavam essa identidade religiosa nas campanhas em rela\u00e7\u00e3o a cat\u00f3licos e afro religiosos, por exemplo. Foi deixando de ser t\u00e3o estrat\u00e9gico, nesse sentido. Outro elemento \u00e9 que no debate p\u00fablico, a quest\u00e3o da seguran\u00e7a foi se tornando cada vez mais presente e a identidade laboral das \u00e1reas de sistema de justi\u00e7a e seguran\u00e7a cresceram, sobretudo desde 2018\u201d, explicou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>J\u00e1 o cientista pol\u00edtico Leandro Gabiati afirma que o uso do cargo religioso no nome de urna funciona como um sinal para o eleitor, e que n\u00e3o us\u00e1-lo tamb\u00e9m comunica algo. A decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria e pode ter rela\u00e7\u00e3o com o <strong>capital pol\u00edtico<\/strong> do candidato, ou seja, com a reputa\u00e7\u00e3o e a confian\u00e7a popular que ele j\u00e1 det\u00e9m independentemente do t\u00edtulo religioso.<\/p>\n<p>\u201cEstudos sobre candidaturas evang\u00e9licas mostram exatamente essa fun\u00e7\u00e3o de sinaliza\u00e7\u00e3o ao eleitor. A decis\u00e3o de n\u00e3o usar o t\u00edtulo, por outro lado, pode sinalizar uma de duas coisas: ou o candidato j\u00e1 det\u00e9m um capital pol\u00edtico suficiente por outras vias, como mandato pr\u00e9vio, notoriedade midi\u00e1tica, sobrenome de fam\u00edlia pol\u00edtica, e n\u00e3o precisa do t\u00edtulo identit\u00e1rio; ou ele calcula que o r\u00f3tulo religioso pode limitar seu apelo a um espectro menor do eleitorado, restringindo-o a um nicho espec\u00edfico. Ou seja, a refer\u00eancia religiosa pode ser uma estrat\u00e9gia com retorno garantido, mas tamb\u00e9m com teto de crescimento\u201d, afirmou o cientista.<\/p>\n<h2>Subnotifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Os n\u00fameros levantados a partir dos dados do TSE captam apenas a superf\u00edcie. Segundo Pestana, a presen\u00e7a da religi\u00e3o na pol\u00edtica vai muito al\u00e9m do nome de urna, e muitas vezes de forma sutil, uma vez que <strong>a for\u00e7a eleitoral das igrejas n\u00e3o depende diretamente de quantos candidatos se apresentam publicamente como lideran\u00e7as religiosas.<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"m-blockquote m-destaque\">\n<p>\u201cA gente tem menos candidatos explicitamente religiosos, apontados diretamente pela igreja, mas ao mesmo tempo a gente tem uma maior efic\u00e1cia pol\u00edtica dessas igrejas. O contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdade, n\u00e9? Muitos membros das comunidades religiosas podem concorrer individualmente, \u00f3bvio, n\u00e9, sem que exista uma estrat\u00e9gia institucional das suas igrejas por tr\u00e1s dessas candidaturas\u201d, explicou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para Christina Vital, essa lacuna nos n\u00fameros \u00e9, em parte, uma escolha<strong> estrat\u00e9gica<\/strong> dos pr\u00f3prios candidatos e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cUm elemento fora desse radar \u00e9 que candidaturas religiosas s\u00e3o realmente muito mais numerosas do que s\u00e3o poss\u00edveis de serem contabilizadas por nome de urna. E as institui\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas, algumas delas, investem pesado em nomes que s\u00e3o trabalhadas na base como religiosas, em eventos p\u00fablicos de campanha, mas que n\u00e3o exigem essa identifica\u00e7\u00e3o p\u00fablica atraindo um eleitorado n\u00e3o necessariamente religioso. Assim, as institui\u00e7\u00f5es fortalecem a dimens\u00e3o religiosa de seus candidatos estrategicamente quando lhes interessa, junto a suas bases, e podem angariar votos na sociedade mais ampla atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de outras identifica\u00e7\u00f5es em torno de seus candidatos preferenciais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros refor\u00e7am essa leitura: a propor\u00e7\u00e3o de candidaturas com t\u00edtulo religioso no nome de urna n\u00e3o mudou entre as duas elei\u00e7\u00f5es \u2014 2,57% do total de candidaturas no Distrito Federal, tanto em 2022 quanto em 2026. A queda no n\u00famero absoluto acompanha, na verdade, a redu\u00e7\u00e3o geral de candidaturas no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Para Leandro Gabiati, essa estabilidade na propor\u00e7\u00e3o \u00e9 reveladora: mesmo com menos candidatos usando t\u00edtulos religiosos, isso n\u00e3o significa um recuo da identifica\u00e7\u00e3o religiosa como estrat\u00e9gia eleitoral, ela permanece presente, ainda que por outros caminhos.<\/p>\n<blockquote class=\"m-blockquote m-destaque\">\n<p>\u201cN\u00e3o houve uma retra\u00e7\u00e3o relativa desse tipo de candidatura. Em outras palavras, podemos concluir que h\u00e1 menos candidatos religiosos com t\u00edtulo na urna porque h\u00e1 menos candidatos em geral, e n\u00e3o porque essa forma de identifica\u00e7\u00e3o perdeu espa\u00e7o dentro da oferta eleitoral\u201d, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Evang\u00e9licos s\u00e3o a maioria dentre as candidaturas religiosas<\/h2>\n<p>Segundo Christina Vital, os evang\u00e9licos usam mais a identidade religiosa como nome de urna porque, historicamente, se posicionam como um movimento \u201cdesafiante\u201d diante de uma suposta hegemonia cat\u00f3lica, e isso tamb\u00e9m pode estar ligado a um interesse institucional.<\/p>\n<blockquote class=\"m-blockquote m-destaque\">\n<p>\u201cDevemos entender que institui\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas s\u00e3o interessadas na elei\u00e7\u00e3o de candidatos pr\u00f3prios que v\u00e3o conseguir benef\u00edcios pol\u00edticos junto ao poder p\u00fablico. A Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o precisa pleitear isso nessa mesma medida. Em primeiro lugar, porque j\u00e1 foi grandemente beneficiada pelo Estado e, em segundo, porque faz acordos entre Estados, como no caso Brasil Santa S\u00e9. A elei\u00e7\u00e3o de parlamentares cat\u00f3licos \u00e9 grande e a milit\u00e2ncia parlamentar deles tem aumentado, mas ocorre mais em um plano cultural do que institucional\u201d, afirmou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>J\u00e1 para Leandro Gabiati, a presen\u00e7a hist\u00f3rica de nomes evang\u00e9licos nas urnas est\u00e1 ligada \u00e0 expans\u00e3o evang\u00e9lica na pol\u00edtica, que passou por v\u00e1rias etapas dentro do jogo pol\u00edtico brasileiro at\u00e9 ser incorporada de vez.<\/p>\n<p>Os dados permitem falar em estabiliza\u00e7\u00e3o do uso expl\u00edcito da identidade religiosa no nome de urna no DF, mas n\u00e3o necessariamente em estabiliza\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia pol\u00edtica evang\u00e9lica. \u201cImportante destacar que s\u00e3o coisas diferentes. A expans\u00e3o evang\u00e9lica na pol\u00edtica brasileira j\u00e1 passou por v\u00e1rias etapas: crescimento demogr\u00e1fico, organiza\u00e7\u00e3o institucional das igrejas, lan\u00e7amento de candidaturas, forma\u00e7\u00e3o de bancadas e incorpora\u00e7\u00e3o de pautas religiosas por candidatos que nem sequer s\u00e3o lideran\u00e7as religiosas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPodemos apontar que a religi\u00e3o esteja se tornando menos dependente do t\u00edtulo eclesi\u00e1stico para exercer influ\u00eancia eleitoral. Estudos sobre campanhas mostram, por exemplo, que refer\u00eancias a Deus, B\u00edblia e valores religiosos aparecem tamb\u00e9m fora das candidaturas formalmente apresentadas como \u2018pastor\u2019\u201d, explicou.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/distrito-federal\/df-tera-menos-padres-e-pastores-candidatos-nas-urnas-entenda-por-que\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pastor, padre, m\u00e3e de santo e mission\u00e1rio s\u00e3o termos que, em 2026, aparecer\u00e3o menos nas urnas. O n\u00famero de candidatos que usam t\u00edtulos religiosos no nome de urna caiu no Distrito Federal: s\u00e3o 17 candidaturas neste ano, contra 23, em 2022. 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