Último dia da festa em Brasília teve foliões de todas as idades, arrasando nas fantasias, curtindo música diversa e enchendo as ruas da capital. Alegria, descontração e vontade de pular mais carnaval deram o tom da folia
Muito amor, confete e serpentina no bloco Pacotão – (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Brasília se despediu da folia, ontem, com o mesmo clima plural e alegre que marcou a festa em 2026. Famílias, grupos de amigos e pessoas de todas as idades voltaram às ruas para um adeus coletivo que misturou cansaço, euforia e expectativa para a próxima folia. Fantasias já amassadas, maquiagem borrada e glitter resistente deram o tom de um encerramento que foi menos sobre o fim e mais sobre as memórias construídas ao longo dos dias de festa.
Entre marchinhas e sucessos populares em ritmo carnavalesco, crianças correram fantasiadas, adultos resistiram à dispersão e muitos transformaram as últimas horas de festa em abraços demorados e fotos para guardar o momento. O tempo firme, sem as chuvas que costumam surpreender o período carnavalesco no Distrito Federal, ajudou a sustentar a folia a céu aberto até o último acorde, encerrando um carnaval que reafirmou a cidade como um espaço de celebração coletiva.
Ao som do pop do Bloco B de Beyoncé, no Setor Carnavalesco Sul, os amigos Aline Fernandes, 31 anos, analista de dados do Guará, e André Erik, 31, analista de ouvidoria de Taguatinga, escolheram encerrar a folia com uma proposta diferente, atraídos também pela localização próxima ao metrô, que facilitou o acesso.
As fantasias foram resultado de um mês de preparação, com tudo organizado em planilha e compras feitas em diferentes lugares. “A minha ideia de hoje era ser um cogumelo. Personalizei com umas pérolas para ficar mais místico. A gente fez todas as nossas fantasias deste carnaval”, contou Aline.
O empenho incluiu até viagens estratégicas para garimpar materiais. “Estamos pensando há um mês nas nossas fantasias. Fomos no Taguacenter, e aproveitei uma viagem que fiz para São Paulo para passar na 25 de Março”, relatou André, destacando que a preparação acabou se tornando uma das partes mais divertidas da folia.
Vibração
Ao longo dos dias de festa, a dupla incorporou diversos temas e figuras, como aliens, fantasmas, cowboy e até mesmo um catavento.
No Entorno, aconteceu um carnaval mais gótico, um pouco diferente dos tradicionais. O Carna Rock, que aconteceu na Praça do Museu de Planaltina, chamou a atenção da artista Raiane Lima, 29. Moradora da região e frequentadora de várias edições, ela acompanha de perto o crescimento do evento, que nasceu de forma comunitária e, hoje, celebra a décima primeira edição, reunindo um público diverso ao som do rock e de outros estilos. Para Raiane, participar do bloco é também uma forma de valorizar a produção cultural local e encontrar um ambiente que dialoga com sua identidade artística e pessoal.
“O rock é uma base muito educativa e cultural na minha vida. É um estilo que encaixa perfeitamente com a cultura da cidade, além de servir como uma forma de desabafar e colocar para fora todos os sentimentos”, afirma. Autista e pouco fã de grandes aglomerações, ela conta que costuma evitar carnavais muito cheios, mas encontrou no Carna Rock um espaço onde consegue circular com mais tranquilidade e ainda assim sentir-se parte da festa.
Já a professora de ensino médio Suellen Martins, 39 anos, apostou em uma fantasia cheia de significado para encerrar a folia. Vestida de arara, ela explicou que a escolha foi uma homenagem direta aos alunos. “Eu sou professora de biologia e resolvi fazer essa fantasia em homenagem aos meus alunos”, explicou.
O figurino exigiu dedicação intensa e várias noites sem dormir. “As asas deram muito trabalho para fazer. Foi muito difícil, mas gratificante”, disse, orgulhosa do resultado.
