A Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV), braço especializado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), instaurou uma investigação minuciosa para apurar o processo de radicalização ideológica de um grupo composto por seis adolescentes em uma escola pública, na Asa Sul. Os jovens são suspeitos de disseminar discursos de ódio com forte viés neonazista, manifestados tanto no ambiente escolar quanto em plataformas digitais.
O sinal de alerta máximo foi acionado após as autoridades identificarem que os estudantes vinham coordenando comportamentos alusivos a regimes extremistas. No ambiente virtual, especificamente em perfis na rede social Instagram, os integrantes do grupo utilizavam de forma recorrente imagens de soldados do exército alemão da Segunda Guerra Mundial em suas fotos de perfil e publicações, operando por meio de menções e iconografias indiretas.
A emulação do cenário bélico totalitário ultrapassou as telas dos celulares. Relatos colhidos junto à comunidade escolar apontam que os seis jovens passaram a alinhar a própria identidade visual e a postura física dentro do colégio. De forma combinada, todos rasparam as cabeças, uns integralmente e outros de forma parcial, imitando de maneira deliberada o padrão estético e o corte de cabelo característico dos soldados das forças alemãs que atuaram no conflito mundial entre 1939 e 1945. Além da padronização estética, o grupo combinava vestimentas e passou a externar discursos hostis durante as próprias atividades pedagógicas regulares.
Resposta policial
O desdobramento mais crítico do caso, que culminou na intervenção das forças de segurança, envolveu o envio de graves ameaças por meio de aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, direcionadas majoritariamente contra as estudantes do sexo feminino. A escalada de tensão provocou pânico entre alunos e o corpo docente na última quinta-feira (14/5). Diante dos fatos, o Batalhão de Policiamento Escolar da Polícia Militar (PMDF) foi acionado com urgência pela direção da instituição.
Três dos adolescentes envolvidos foram localizados, retidos e conduzidos à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA 1), onde prestaram depoimentos formais acompanhados de seus responsáveis legais.
“Realmente houve ameaça. Em um primeiro momento, assim que a direção entrou em contato conosco, nós já empregamos o policiamento. Tanto o ostensivo quanto o policiamento de inteligência e conseguimos identificar os autores da ameaça e os encaminhamos à DCA”, afirmou ao Metrópoles a tenente Terumy, comandante da Companhia de Policiamento Escolar do Plano Piloto.
Alunos monitorados
De acordo com informações obtidas junto às autoridades, os jovens envolvidos não possuem antecedentes infracionais ou histórico prévio de comportamento violento registrado. A situação atual na unidade de ensino é considerada sob controle e totalmente mapeada pela DPCEV, que segue monitorando o cenário.
Apesar do monitoramento e do controle do risco imediato, a comunidade escolar permanece sob forte inquietação devido ao surgimento de boatos sobre uma suposta lista circulando em grupos virtuais, contendo os nomes de “garotas mais estupráveis”, em uma aparente menção a um episódio criminoso registrado recentemente no estado de Mato Grosso.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) emitiu nota oficial informando que abriu uma apuração interna imediata e que atua de forma integrada com as autoridades de segurança. A pasta ressaltou, contudo, que “não há qualquer indício material que comprove a existência das listas mencionadas”, tratando o episódio, até o momento, como um desdobramento do pânico espalhado digitalmente.
O policiamento ostensivo no perímetro da escola foi reforçado por tempo indeterminado para garantir a integridade física de discentes e professores. Paralelamente, a direção escolar realizou reuniões emergenciais com os pais e responsáveis de todos os envolvidos para aplicar as sanções administrativas e pedagógicas cabíveis.
A DPCEV segue rastreando os dispositivos eletrônicos e perfis de rede social para identificar a extensão das conexões ideológicas do grupo e mitigar novas células de radicalização infantojuvenil na capital federal.







