As propostas de Celina Leão e Leandro Grass para reduzir feminicídios no DF

O Distrito Federal chegou, nessa sexta-feira (16/10), à triste marca de 19 feminicídios em 2026, acendendo o alerta para a criação e o reforço das políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

Por isso, o Metrópoles consultou os planos de governo e perguntou aos candidatos que disputam o comando do Palácio do Buriti — Celina Leão (PP) e Leandro Grass — o que pretendem fazer, caso eleitos, para coibir a violência contra a mulher no DF.

A atual governadora e candidata à reeleição disse que, quando falamos de violência contra a mulher, se fala em proteger vidas. “Queremos ampliar o Viva Flor e fortalecer toda a rede de acolhimento. Quero que cada mulher do Distrito Federal tenha segurança para viver e oportunidade para construir seu próprio futuro”, pontuou.

O candidato petista disse, durante agenda de campanha, que pretende implementar protocolos rígidos em relação a todos os tipos de crimes contra a mulher. “Vou intensificar o cumprimento de medida protetiva para aquele agressor que já, numa primeira vez, violentou sua companheira, além de ampliar as condições para que as mulheres denunciem os agressores”, assegurou.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles DF


Veja alguns dos crimes que chocaram o DF este ano:

  • Mayara Stephany Varela de Almeida Sousa, 30 anos — Morreu após ser baleada na cabeça e tórax pelo ex-companheiro André Eduardo Alves da Silva, 40, na Candangolândia (DF). Uma câmera de segurança flagrou o momento em que o ex-companheiro de Mayara agride e atira na vítima. Ela chegou a ficar internada no Hospital de Base, em estado grave e respirando com ajuda de aparelhos, mas não resistiu aos ferimentos;
  • Janaína Rodrigues da Silva, 45 anos — Foi encontrada nua, com sinais de facadas e carbonizada em uma fogueira em uma chácara na AR 18, em Sobradinho II, na madrugada de 10 de setembro. Uma testemunha relatou ter visto um homem arrastando o corpo. Até a publicação da reportagem, o autor não havia sido identificado ou preso;
  • Flávia Gomes da Silva, 35 anos — Foi morta a facadas pelo companheiro, Anderson Gonçalves, de 44 anos, em 7 de setembro, no Itapoã. O crime ocorreu na frente da filha do casal, de 4 anos. O suspeito fugiu após o assassinato e foi preso no dia seguinte. Familiares relataram à polícia episódios anteriores de agressão;
  • Hildene Rodrigues da Silva, 37 anos — Foi esfaqueada diversas vezes em 13 de agosto, atrás de uma escola na QNN 3, em Ceilândia Norte. Ela foi levada ao Hospital Regional de Ceilândia, mas não resistiu aos ferimentos. Moradores afirmaram que a região é conhecida por ocorrências relacionadas ao tráfico e ao consumo de drogas;
  • Dileusa Almeida Durães, 46 anos — Foi morta pelo companheiro, Sandro de Souza Oliveira, na madrugada de 20 de junho, no Recanto das Emas. O filho dela, de 14 anos, também foi ferido ao tentar proteger a mãe. Segundo relatos, Dileusa havia terminado o relacionamento, mas reatou após o homem não aceitar a separação;
  • Cláudia da Silva Nascimento, 50 anos — Foi morta a tiros pelo marido, o policial militar da reserva Josimar da Costa, de 56 anos, em 16 de maio, em São Sebastião. Após matar a esposa, ele tirou a própria vida com a mesma arma. Uma sobrinha afirmou que o homem apresentava comportamento possessivo e era “doente de ciúmes”;
  • Luana Moreira Marques, 41 anos — Foi morta a facadas pelo ex-marido, Wellington de Rezende Silva, de 43 anos, em 9 de março, na região de Planaltina. Segundo a investigação, ele armou uma emboscada e confessou o crime, atribuindo o assassinato a “ciúmes intensos”. Luana planejava viajar com a filha no dia seguinte;
  • Maria Elenice, 61 anos — A professora foi morta com uma facada no pescoço, em 20 de janeiro, no Guará II. O filho dela, Vinicius, confessou o crime e afirmou ter tido um “surto”. A defesa pediu que a prisão fosse substituída por internação psiquiátrica, mas a Justiça negou o pedido;
  • Bruna Stephanie Freitas Brandão, 36 anos — Foi morta a facadas pelo ex-companheiro, Elenilton Pereira Bezerra, de 36 anos, em 3 de abril, no Riacho Fundo II. O crime ocorreu na frente do filho do casal, de 2 anos. Após o assassinato, o suspeito fugiu para Samambaia, onde foi preso por policiais militares. O caso é investigado como feminicídio;
  • Jussiara Ferreira dos Santos, 42 anos — Foi ferida com golpes de arma branca por volta das 4h de 29 de agosto, em Samambaia. Ela chegou ferida à casa da irmã e foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital Regional de Taguatinga, mas não resistiu. O ex-companheiro dela, João Alberto Mesquita da Silva, de 44 anos, foi preso em flagrante. Inicialmente registrado como ameaça, o caso foi transferido para a 32ª Delegacia de Polícia e reclassificado como feminicídio consumado após a morte da vítima.

Planos de governo

A reportagem também consultou as propostas que foram enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos. Confira algumas das propostas:


Celina Leão

  • Prevenção ao feminicídio e violência: ampliar as ações de prevenção por meio de orientação nas comunidades e atividades educativas adequadas para diferentes faixas etárias, além do acompanhamento dos casos de maior risco e apoio aos filhos e dependentes das vítimas;
  • Apoio às mães e cuidadoras: fortalecer a rede de apoio a mulheres responsáveis pelo cuidado de crianças, pessoas com deficiência, idosos e dependentes de modo geral;
  • Autonomia econômica: ampliar o acesso à qualificação, emprego, empreendedorismo, microcrédito, inclusão digital e igualdade salarial, estimulando meninas e mulheres nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.

Leandro Grass

  • Rede de proteção completa: Casa da Mulher Brasileira em funcionamento pleno e unidades regionais, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) funcionando 24h, casas-abrigo e acompanhamento psicossocial e jurídico;
  • Plano de enfrentamento ao feminicídio: implementação da Patrulha Maria da Penha e do Viva Flor em todas as RAs, avaliação de risco padronizada no primeiro contato (delegacia, saúde ou 190) e expansão do dispositivo de proteção 24h;
  • Amparo às vítimas indiretas: Assistência psicológica, social e material para crianças e adolescentes que perdem as mães em decorrência do feminicídio.



Tribunal Brasília

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *