Homem que atropelou manifestante em ato pró-Lula em BH é solto sem fiança

Belo Horizonte – A Justiça concedeu liberdade provisória, sem pagamento de fiança, ao homem, de 41 anos, preso em flagrante por suspeita de tentativa de homicídio após avançar com um carro contra manifestantes durante um ato pró-Lula no Centro de Belo Horizonte, após passar por audiência de custódia nesta segunda-feita (19/10). O caso ocorreu no cruzamento das ruas Tupinambás e da Bahia no último sábado (17/10).

Segundo depoimentos de testemunhas e policiais, o homem dirigia um Volkswagen Up amarelo quando avançou com o veículo contra pedestres que atravessavam a rua.

Um homem, de 67, foi atropelado, caiu no chão e sofreu ferimentos nas pernas. Ele foi socorrido e levado ao Hospital João XXIII, na capital mineira.

Testemunhas afirmaram que o sinal estava vermelho para os carros e que o motorista fugiu em alta velocidade pela Rua da Bahia após o atropelamento. 

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do Metrópoles

Eles foram localizados, posteriormente, na região da Savassi, Centro-Sul da capital.

A esposa do motorista, que estava no carro com os dois filhos pequenos do casal, apresentou outra versão. Em depoimento, ela afirmou que o veículo estava parado no sinal vermelho e que, quando o semáforo abriu, o marido começou a dirigir, desviando de um carrinho de ambulante.

Nesse momento, segundo ela, manifestantes começaram a jogar latas de cerveja e garrafas de água contra o carro, atingindo sua cabeça e barriga. A mulher disse que pediu ao marido que acelerasse para proteger as crianças.  A família foi liberada, mas o motorista detido.

O caso foi denunciado por políticos, que associaram o atropelamento à questões políticas. Nas redes sociais, a deputada estadual Bella Gonçalves afirmou que o motorista era bolsonarista e classificou o episódio como muito grave.

Ao analisar o caso, o juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno considerou válida a prisão em flagrante, mas decidiu que o motorista poderia responder à investigação em liberdade.

O magistrado levou em conta o fato de o motorista não ter registros anteriores de prisão, a acusação de tentativa de homicídio, sem que a morte tenha ocorrido, e o entendimento de que a prisão antes do julgamento deve ser adotada apenas em situações excepcionais.

A Justiça também permitiu que Wesley continuasse com sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Na decisão, o juiz considerou que ele trabalha como manobrista e precisa do documento para exercer a profissão.

Restrições

Apesar da soltura, o motorista terá que cumprir uma série de restrições. Ele deverá usar tornozeleira eletrônica por 90 dias e permanecer em casa das 20h às 6h durante a semana. Aos sábados, domingos e feriados, não poderá sair de casa durante todo o dia, pelo mesmo período de 90 dias.

Wesley também está proibido de se aproximar a menos de 500 metros da vítima. Além disso, deverá participar de acompanhamento por uma equipe multidisciplinar da Central de Acompanhamento de Alternativas Penais (Ceapa) por pelo menos três meses, prazo que poderá ser prorrogado por mais três.

O motorista ainda terá que comparecer mensalmente à Justiça, durante seis meses, para informar e justificar suas atividades. Também deverá manter seu endereço atualizado.



Tribunal Brasília

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