traficante lança maços de notas de R$ 100 em favela

Entre rajadas de fuzil disparadas para o alto e o eco dos graves das caixas de som, uma cena recorrente tem chamado a atenção de investigadores e moradores de comunidades do Rio de Janeiro: a “chuva de dinheiro”. Apelidada pejorativamente de ritual do “Silvio Santos do CV”, a prática consiste em integrantes do Comando Vermelho (CV) arremessarem maços de notas sobre a multidão reunida em bailes funk controlados pela facção.

Imagens obtidas com exclusividade pela coluna Na Mira mostram o momento exato de um desses episódios, realizado na localidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Nas gravações, divulgadas originalmente pelo traficante Raphael Linhares, o público — composto em grande parte por moradores locais e crianças — se aglomera no chão para recolher as cédulas lançadas pelos criminosos.

O gesto performático longe de ser uma ação assistencialista, trata-se de um método articulado de controle social e demonstração de força econômica. A ostentação serve tanto como propaganda de poder perante facções rivais quanto como uma estratégia deliberada para aliciar moradores vulneráveis e reforçar o domínio territorial através da dependência.

Bailes históricos

Por trás do espetáculo de cédulas voadoras e bebidas, opera uma complexa engrenagem financeira. Investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) apontam que antigos megabailes históricos, como o Baile da Gaiola e o Baile da Escolinha, funcionavam como grandes fachadas de lazer para a lavagem de dinheiro oriundo do narcotráfico.

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do Metrópoles

A exibição de poder não se restringe às notas de real. Nos eventos atuais, é frequente a presença ostensiva de criminosos portando armamento de calibre restrito, como fuzis de assalto e metralhadoras. Em datas comemorativas ou festas de aniversário de lideranças da facção, disparos em rajada substituem os fogos de artifício, colocando em risco constante a vida da população civil presente.

Em resposta ao avanço das festas patrocinadas pelo crime organizado, as polícias Civil e Militar têm intensificado operações direcionadas:

  • Desmantelamento de estruturas: ações frequentes visam a demolição e interdição de espaços físicos erguidos irregularmente pelo tráfico para sediar os eventos, a exemplo do que ocorreu no chamado Baile da Arábia.
  • Asfixia financeira: a polícia mira o núcleo financeiro e operacional da facção, promovendo o bloqueio de bens e investigando repasses suspeitos efetuados a influenciadores digitais, produtores e familiares de músicos ligados aos chefes da organização.

O combate a essa modalidade criminosa permanece como um dos principais desafios das forças de segurança estaduais, que buscam cortar o fluxo financeiro e neutralizar o aliciamento velado nas periferias cariocas.



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