Meta excluiu quase 90% das contas bloqueadas nessa eleição

A proprietária do Instagram e do Facebook decidiu excluir das redes sociais cerca de 90% dos perfis que foram bloqueados na primeira quinzena de outubro – mês em que a campanha eleitoral se intensificou. É o que mostra um levantamento exclusivo da startup Resolvvi, legaltech que dá suporte a usuários que tiveram as contas desativadas indevidamente.

Na prática, o dono do perfil perdeu o acesso à conta, aos seguidores e ao histórico de publicações. Tudo isso sem prazo para voltar.

De 1º a 15 de outubro, 388 usuários procuraram a Resolvvi alegando que as contas nas redes sociais haviam sido desativadas pela big tech de Mark Zuckerberg. O Instagram sozinho responde por metade do volume – somado ao Facebook, outra rede da Meta, o total chega a 92% dos casos.

Do total de registros na Resolvvi, a plataforma decidiu desativar de vez o perfil de 343 usuários (88,4%). Também foram registradas 23 suspensões e dez restrições.

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do Metrópoles

Segundo o CEO da Resolvvi, Bruno Arruda, a curva já vinha subindo ao longo do ano, mas ganhou velocidade na reta decisiva da campanha. Em janeiro, foram apenas 13 casos. Em setembro, o número saltou para 503 – mais de 16 contas desativadas por dia, em média.

“Já em outubro, último mês da corrida eleitoral, o ritmo de desativação dos perfis chegou a 26 casos por dia, em média. Quase 50% a mais do que em setembro”, destaca Arruda. “Na semana seguinte ao primeiro turno, recebemos 1.712 pedidos de ajuda. Um volume cerca de 15% acima da média semanal de setembro”, complementa.

O executivo destaca que a plataforma apaga a conta sem informar os motivos. “Para muita gente, o perfil na rede social é da loja, um canal de vendas com o cliente ou, em alguns casos, com o eleitor, quando a pessoa é candidata e está em plena campanha”, afirma.

Os números da Resolvvi se somam a mais de mil relatos de bloqueios, remoções e suspensões que foram reunidos por Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z. Foi com base nesse material que o Ministério Público Federal (MPF) abriu, em 14 de outubro, um procedimento administrativo para avaliar a moderação de conteúdo da Meta e do X (empresa dona do antigo Twitter). As empresas receberam prazo de cinco dias para responder à demanda a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF.

Em plena eleição, a resposta padrão da Meta tem sido a remoção definitiva – e não a suspensão temporária como ocorria anteriormente. “Quem teve a conta apagada não precisa aceitar a decisão da plataforma como se fosse definitiva. É possível questionar na Justiça, inclusive com pedido de indenização, para exigir que a empresa explique os motivos do bloqueio”, garante o CEO da Resolvvi.



Tribunal Brasília

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