Após 12 anos, PCDF prende assassino que matou mulher com 119 facadas

Em uma operação marcada pelo rigor técnico e pela persistência investigativa, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP/DPE), cumpriu nesta quinta-feira (13/8), o mandado de prisão preventiva contra o responsável por um dos crimes mais chocantes registrados na capital federal na última década.

O feminicídio qualificado, praticado no ano de 2014 na região administrativa de Planaltina/DF, permaneceu durante anos sem autoria definida, exigindo uma complexa engrenagem de reanálise criminal e perícia científica avançada para que a justiça pudesse, finalmente, alcançar o assassino.

Os fatos remontam a novembro de 2014, quando o corpo de uma jovem de apenas 17 anos foi localizado em uma área isolada de cerrado em Planaltina. A vítima, portadora de transtornos mentais graves e vivendo temporariamente em situação de extrema vulnerabilidade nas ruas da cidade, foi atacada de forma sumária e impiedosa.

Ataque fulminante

Segundo dados colhidos pelo laudo de necropsia à época, a vítima sofreu 119 golpes de faca espalhados por todo o corpo. O ataque fulminante eliminou qualquer possibilidade de reação ou defesa, revelando requintes de crueldade e selvageria que assustaram a comunidade local na ocasião.

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do Metrópoles

“A vítima, indefesa e em situação de vulnerabilidade, foi atingida por 119 golpes de faca. A resposta do Estado veio pela ciência e pela técnica policial.” Apesar dos esforços iniciais empreendidos pelas autoridades locais em 2014, a escassez de testemunhas presenciais e a ausência de indícios diretos fizeram com que as apurações enfrentassem sérios entraves, arrastando-se por anos sem que a autoria pudesse ser formalmente atribuída.

A reviravolta ocorreu quando a investigação foi assumida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP). A unidade especializada submeteu os autos a um rigoroso processo de reanálise, saneamento e reconstrução dos passos da vítima nas horas que antecederam sua morte.

Mesmo diante do tempo decorrido — doze anos desde a noite do assassinato —, os investigadores mantiveram a convicção de que o caso não terminaria impune. A apuração buscou amparo na tecnologia científica para superar as barreiras provocadas pelo decurso temporal.

Prova científica

O elemento determinante e inquestionável para o desfecho do inquérito veio por meio da biologia molecular e da atuação dos peritos do Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA/PCDF).

Através do reexame das evidências colhidas pela perícia de local em 2014, mantidas devidamente preservadas sob custódia oficial, os peritos criminais isolaram uma mancha biológica de origem masculina presente nas vestes que a vítima usava no momento do homicídio.

Com o avanço dos softwares de comparação genética e a ampliação do Banco de Perfis Genéticos da PCDF, o cruzamento do DNA colhido na cena do crime resultou em uma coincidência exata (100% de compatibilidade) com o perfil do investigado. O suspeito, que à época do crime mantinha um relacionamento amoroso com a jovem, acabou definitivamente vinculado à cena do assassinato.

Histórico criminal

O autor, atualmente com 31 anos de idade, possui uma extensa e grave ficha criminal. O investigado já soma condenações e passagens anteriores pelos crimes de tráfico de drogas e tentativa de homicídio.

Segundo levantamentos da CHPP, o homem cumpriu pena em regime fechado e semiaberto entre os anos de 2017 e 2025. Recentemente, beneficiado pela progressão de pena, vinha cumprindo sentença em regime de prisão domiciliar na região de Planaltina.

Com a expedição do novo mandado de prisão preventiva fundamentado nas provas genéticas irrefutáveis, as equipes operacionais da CHPP efetuaram a captura do suspeito no dia de hoje. Ele foi conduzido à prisão e recolhido ao sistema penitenciário do DF, onde permanecerá segregado à disposição do Tribunal do Júri para responder pelo feminicídio brutal.



Tribunal Brasília

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