No primeiro semestre deste ano, a capital federal contabilizou 1.186 registros de pessoas desaparecidas, figurando entre as maiores taxas proporcionais por população do país, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul, que registrou 4037 notificações do tipo. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), a taxa de localização no recorte foi de 96%, com 1.133 pessoas encontradas.
Sobre o volume de registros, a tenente-coronel da PMDF, subsecretária de Integração de Políticas Públicas de Segurança da SSPDF, Larissa de Jesus, explica que o incentivo para que a população da capital denuncie os casos de sumiços antes das 24 horas impacta diretamente nas estatísticas e resulta no número maior de notificações precoces. Questões geográficas também facilitam o registro de ocorrências.
“A gente tem algumas características específicas do Distrito Federal que colaboram e favorecem um registro de todos os casos de desaparecimento. Então, a impossibilidade de notificação aqui é baixíssima, porque nós temos delegacias regionais praticamente em todas as RAs”, afirmou Larissa.
Casos em aberto
No entanto, até 17 de agosto, pelo menos 68 pessoas continuavam desaparecidas, número considerado pouco frente aos casos solucionados, mas que faz diferença para os familiares que seguem sem respostas. Na maioria dos casos, o desaparecimento é voluntário e motivado por problemas de saúde mental ou conflitos familiares, explicou a SSPDF.
Desaparecido após ser levado por uma equipe de Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Gama, Marcos Vinícius Alves, 30 anos, é procurado pela família desde 25 de agosto. Ao Metrópoles, a mãe dele, Kenia Alves, 50 anos, disse que o filho sofre problemas de saúde mental e foi levado para atendimento médico após passar mal por possíveis efeitos de um novo remédio. Ele saiu da unidade de saúde por volta das 7:30 da manhã e desde então não foi localizado.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles DF
O sentimento de não saber a onde o filho está é angustiante, relatou Gertuda Laurinda Ferreira, moradora do Riacho Fundo 2, que aguarda respostas do paradeiro de Matheus Ferreira Gomes, 33 anos, desaparecido desde 20 de agosto após sair de casa e não dar mais notícias. De acordo com a mãe, o período do desaparecimento coincidiu com problemas familiares entre o homem e a sua companheira.
Até o momento da publicação desta reportagem, as pessoas desaparecidas citadas ainda não haviam sido encontradas. Com isso, os números de localizações podem oscilar.
Medidas em caso de desaparecimento
Segundo a Secretaria, parte dos casos de localização é motivado principalmente pela rapidez da denúncia, por a necessário aguardar 24 horas para registrar um desaparecimento.
De acordo com a SSP-DF, as atuais estratégias para a localização de pessoas desaparecidas incluem a divulgação pelo perfil oficial @desaparecidos_df, bem como a utilização do Alerta Amber em casos de desaparecimento de crianças.







