Pastor que matou motorista de app vai a júri por tentar matar ex-mulher

O pastor Antônio Ailton da Silva, de 44 anos, será julgado nesta quarta-feira (9/9) pelo Tribunal do Júri do Recanto das Emas por tentar matar a ex-esposa e a sua amiga. Os dois crimes aconteceram na madrugada do dia 25 de fevereiro de 2025, um dia antes dele matar a motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, 49 anos. Pelo crime de feminicídio, ele foi condenado a 29 anos de prisão em julho deste ano.

Segundo a denúncia, o acusado não aceitava o fim do relacionamento e foi até a casa onde a ex-esposa estava abrigada. No local, ele a estrangulou e agrediu fisicamente enquanto ela dormia no sofá da casa da amiga até que ela perdesse a consciência.

Acreditando que a mulher estivesse morta, o homem bateu na porta do quarto da proprietária da casa, amiga da vítima. Usando de dissimulação, ele afirmou que a amiga estava “passando mal” para fazê-la abrir a porta. Quando a mulher abriu, foi imediatamente enforcada e espancada até desmaiar. O acusado ainda roubou o celular da testemunha antes de fugir.

Além do estrangulamento e dos murros até ela desacordar, o réu a amarrou com uma corda. Inicialmente, a ex-esposa relatou em depoimento ter achado que se tratava de um pesadelo e ao recobrar os sentidos, a vítima estava sangrando pela boca, nariz e ouvido, além de ter o couro da perna arrancado como se tivesse sido arrastada e viu também a amiga espancada.

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do Metrópoles DF

Antes de invadir a casa e asfixiar a ex-esposa durante a madrugada, Ailton foi até a casa da amiga duas vezes antes do ataque por volta de 19h e depois pedindo água gelada, momento em que ela teria deixado claro que não dormiria com ele no barraco.

Longo relacionamento

A ex-esposa e o réu viveram juntos por cerca de 8 meses, dos quais 1 ano eram oficialmente casados. Há cerca de um mês a vítima tentava se separar e, apenas uma semana antes do crime, havia alugado um barraco próximo à casa da amiga para tentar morar sozinha.

Segundo o relato da vítima, o réu controlava o seu celular. Em um episódio anterior, ele pegou o carro e pertences dela e sumiu, alegando ter ido a Pernambuco e que o veículo teria sido apreendido na Bahia. De acordo com a ex-esposa, Ailton também apresentava episódios de alcoolismo.

A decisão de primeira instância havia retirado a qualificadora da tentativa de homicídio contra a amiga, sob o argumento de que a vítima declarou desconhecer a motivação do ataque, mas um recurso do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) foi aceito.

Antônio Ailton da Silva irá responder por tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio qualificado e furto. Caso seja condenado, a pena máxima do acusado pode chegar até 47 anos e 8 meses de prisão.

O Metrópoles não localizou a defesa de Antônio Ailton. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Assassinato de motorista de app

No dia 14 de julho deste ano, Tribunal do Júri condenou Antônio Ailton da Silva, de 43 anos, a mais de 29 anos de prisão por ter matado a motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, de 49 anos, em fevereiro de 2025. O crime ocorreu na região do Cruzeiro (DF).

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) revelou que o acusado escolheu a vítima por ser mulher, o que revela “escolha racional do alvo e exploração consciente da vulnerabilidade da ofendida”.

O documento ainda cita o modus operandi do réu que teria estrangulado a vítima e, após a motorista sobreviver, aplicou golpes de faca contra Ana Rosa — sendo a causa da morte o traumatismo torácico.  Antes do feminicídio, Ailton era procurado por ter tentado matar a ex-esposa e a amiga dela, um dia antes do crime.

O MPDFT apontou que o comportamento de Antônio da Silva “revela frieza, deliberação e desprezo pela vida humana”.

“A conduta social do réu merece valoração negativa, evidenciada por comportamento misógino e histórico de violência de gênero”, diz trecho do documento.

A mulher trabalhava há cinco anos como motorista de aplicativo e deixou dois filhos. O mais novo, com 13 anos na época do caso, ficou mais recluso e quase não conversa desde o crime, apontou o MP. Também foi tirado de Ana Rosa o direito de conhecer a própria neta, que nasceu em novembro de 2025.



Tribunal Brasília

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