Uma megaoperação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta quinta-feira (11/9) desmantelou uma violenta organização criminosa armada especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.
A ação, conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), colocou luz sobre os bastidores de um esquema implacável que atuava no DF, Goiás e Tocantins, ostentando fortunas enquanto arrastava famílias ao desespero.
A investigação revelou imagens estarrecedoras do cotidiano dos criminosos.
Em um vídeo obtido pela coluna Na Mira, o agiota Adailton Fernandes de Oliveira, preso na operação, aparece sentado em um sofá, sem camisa e ostentando uma barriga proeminente, gabando-se de estar ao lado do que ele mesmo chamou de uma “serra de dinheiro”.
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do Metrópoles
Cercado por sacos e pilhas de notas de R$ 100 e R$ 50 acumuladas com a cobrança ilegal de juros, o achacador debocha da situação enquanto dialoga com a esposa. “Não vai descansar, não? E esse tanto de dinheiro aí?”, questiona a mulher, sugerindo que ele vá dormir.
“Preciso conferir todo o dinheiro primeiro” responde o agiota que ainda completa: “Tem que ter ajuda, senão vamos passar a noite toda contando dinheiro”, sorriu.
“Serra de dinheiro”
A todo momento, o criminoso faz questão de enfatizar a montanha de cédulas ao seu lado, reforçando o impacto de estar diante dessa impressionante “serra de dinheiro” amealhada com a prática criminosa da usura.
Em tom de ironia, Adailton celebra a facilidade com que extorquia suas vítimas, afirmando que antes corria atrás do dinheiro, mas agora o dinheiro corre atrás dele, devendo agradecer a Deus demais.
Em outro trecho do áudio, ele completa o achaque velado questionando se as pessoas realmente têm dinheiro, arrematando que o grupo junta dinheiro é de saco.
A ostentação gravada em vídeo escondia uma rotina de terror imposta aos devedores. O estopim para a investigação ocorreu em março de 2025, quando um comerciante de 68 anos, figura tradicional da Feira dos Goianos, em Taguatinga, veio a óbito após não suportar a pressão psicológica e o estrangulamento financeiro impostos pelo grupo.
Semianalfabeto, o feirante contraiu dívidas com juros abusivos que chegavam a 20% ao mês. Para tentar manter seu negócio, o idoso usava celulares e contas bancárias de familiares para quitar as parcelas diárias cobradas de forma implacável. Sem forças para estancar a bola de neve financeira e submetido a um estresse contínuo, o comerciante morreu.
Rede de extorsão
A crueldade da rede de extorsão, no entanto, não cessou com o falecimento da vítima. Os credores transferiram a dívida e direcionaram as cobranças para a filha do idoso, que passou a receber áudios e mensagens com ameaças diretas à sua vida e integridade física, sendo coagida a assumir os débitos do pai.
As apurações da PCDF indicaram que o feirante estava encurralado por dois núcleos independentes. O primeiro, formado por cidadãos colombianos e focado em cobranças ostensivas, já havia sido desmantelado pela polícia em uma ação prévia no ano passado.
O segundo, comandado por Adailton, contava com uma estrutura altamente organizada e suporte qualificado de segurança. Entre os investigados está um sargento reformado da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), apontado por dar respaldo logístico e atuar na intimidação direta das vítimas.
Bloqueio de milhões
Para desarticular a quadrilha, a Justiça expediu 12 mandados de prisão preventiva e diversas ordens de busca e apreensão cumpridas simultaneamente nas cidades de Palmas e Araguaína, em Tocantins, além de Goiânia, Senador Canedo e Formoso, no estado de Goiás.
Além das prisões, a decisão judicial determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões nas contas dos suspeitos e o sequestro de bens móveis e imóveis adquiridos com o lucro das atividades ilícitas.
Os envolvidos foram indiciados pelos crimes de usura, extorsão, organização criminosa armada, lavagem de dinheiro e coação no curso do processo, conforme a participação individual de cada integrante.
A PCDF reitera que nenhuma cobrança autoriza o uso de intimidação ou violência e segue analisando o material apreendido para identificar outras vítimas do esquema.







