O governo Lula acompanha com atenção os desdobramentos da crise política no Paraguai, que culminou na renúncia de Santiago Peña da Presidência, e a futura posse de Pedro Alliana, vice de Peña, como novo presidente paraguaio.
A principal preocupação do Palácio do Planalto é que o novo governo do Paraguai consiga garantir a estabilidade política e social e evitar que o episódio provoque manifestações violentas no país.
Presidente Lula é recebido na Cúpula de chefes de Estado, no Paraguai
Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula e presidente do Paraguai, Santiago Peña
Ricardo Stuckert / PR
Sob reserva, assessores do Planalto que atuam na área internacional afirmam que o Brasil não tinha interesse na queda de Peña, apesar do alinhamento do presidente paraguaio com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos. Lula e Peña, inclusive, mantinham uma boa relação.
A avaliação desses auxiliares é que a prioridade do novo governo, neste momento, seja a construção de um ambiente de diálogo que permita uma transição sem novos episódios de instabilidade.
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da Coluna Igor Gadelha
A preocupação brasileira leva em consideração a extensa fronteira entre os dois países, considerada porosa, e a presença de uma numerosa comunidade de brasileiros em território paraguaio.
Na avaliação de integrantes do governo Lula, a crise que derrubou Peña foi agravada por uma disputa interna no Partido Colorado, especialmente pelo rompimento do então presidente com o grupo político ligado ao ex-presidente Horacio Cartes.
Os assessores também apontam que a crise envolvendo o sistema bancário paraguaio contribuiu para aprofundar o desgaste do governo e ampliar a insatisfação popular, sobretudo entre a população de menor renda.
Sem crise com Alliana
No Planalto, o entendimento é que a chegada do vice-presidente Pedro Alliana ao comando do país não deve provocar mudanças significativas nas relações bilaterais. O Brasil pretende manter uma relação construtiva com o novo governo, independentemente das disputas políticas internas.
A principal incógnita, segundo esses auxiliares, é se a mudança na Presidência será suficiente para conter a crise ou se o novo governo também enfrentará questionamentos políticos nos próximos dias.
Para o governo brasileiro, o cenário ideal é que as forças políticas paraguaias encontrem uma solução negociada, capaz de evitar novos conflitos sociais e preservar a estabilidade de um dos principais parceiros do Brasil no Mercosul.








