“Quem cuida das mulheres, cuida da sociedade”, afirma ministra Márcia Lopes

Em debate promovido pelo Correio, autoridades do Executivo e do Judiciário defendem que o enfrentamento à violência de gênero exige investimento financeiro, rigor jurídico e reforma no ensino básico

“Quem cuida das mulheres cuida da sociedade, e o Estado brasileiro é responsável por isso” — Márcia Lopes, ministra das Mulheres do Brasil – (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O auditório do Correio Braziliense foi palco, nessa terça-feira (24/3), de uma mobilização fundamental em defesa da dignidade feminina. O CB Debate O Brasil — pelas Mulheres: formação para uma cultura de proteção reuniu vozes de peso, incluindo autoridades do Executivo e Judiciário e especialistas no tema, para traçar estratégias contra a violência de gênero. Com o Distrito Federal registrando 29 casos de feminicídio em 2025 e cinco apenas nos primeiros meses de 2026, as painelistas convergiram em um diagnóstico: a lei é necessária, mas a mudança real exige educação de base e suporte financeiro para que a mulher rompa o ciclo de opressão.

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A ministra das Mulheres do Brasil, Márcia Lopes, foi uma das que participaram do evento. Ela defendeu, entre outras ações, uma política de cuidado voltada às mulheres. “Quem cuida das mulheres cuida da sociedade, e o Estado brasileiro é responsável por isso”, defendeu, destacando que a Política Nacional de Cuidado, uma parceria entre os ministérios das Mulheres e o de Desenvolvimento e Assistência Social, conta com 79 ações focando na estruturação do cuidado como direito social.

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A chefe da pasta também destacou a importância de avançar em outras políticas de defesa. “Temos leis importantes a serem aprovadas, como a que criminaliza a misoginia”, frisou. “Estamos implantando ‘cuidotecas’ em universidades, institutos federais e outras instituições”, ressaltou. O espaço gratuito de acolhimento infantil para crianças de 3 a 12 anos visa apoiar pais e mães estudantes ou servidores, permitindo a conciliação entre estudos, trabalho e maternidade. 

Márcia Lopes lembrou que o ministério foi criado em 2026 com o objetivo de coordenar políticas públicas setoriais e intersetoriais para as mulheres. “Quando o presidente Lula me convidou, disse que gostaria de ver as mulheres mais protagonistas, mais participantes e mais respeitadas”, recordou. “Ele disse que eu não podia me cansar de subir e descer a Esplanada dos Ministérios conversando com as outras pastas por políticas públicas”, completou.

No ministério, existem 10 fóruns de mulheres que as representam em todo o Brasil. “Estão representadas nos fóruns indígenas, quilombolas, pescadoras, marisqueiras, sindicalistas, catadoras de recicláveis, lésbicas, mulheres com deficiência, idosas, entre outras. A ideia é de que a gente acerte sempre na definição das prioridades”, pontuou a ministra.

Liberdade financeira

A autonomia econômica das mulheres foi colocada pela ministra como um dos principais eixos de atuação para a liberdade feminina. “As mulheres com formação e acesso à educação e profissionalização têm liberdade de escolha. Temos uma secretaria no ministério para cuidar somente desta questão”, frisou. Nesse contexto, Márcia defendeu a igualdade salarial entre homens e mulheres.

“Atualmente, muitas mulheres que exercem as mesmas funções de homens recebem até 21% a menos. Hoje, temos várias iniciativas de formação para meninas e mulheres, inclusive em áreas que eram consideradas masculinas. Matemática, engenharia e outras ciências exatas. Temos parcerias com outros ministérios para que elas tenham acesso a essa formação”, descreveu.

Márcia lembrou que, em fevereiro, o presidente Lula lançou o Pacto Nacional — Brasil contra o Feminicídio, que reúne os Três Poderes em uma ação estratégica que integra segurança, justiça e redes de acolhimento para prevenir o crime. “Quando o Ministério da Justiça prende mais de 5 mil homens, estabelece uma medida que determina que o delegado pode colocar as tornozeleiras eletrônicas, sem necessidade do juizado, entre outras coisas, isso vai melhorando e ampliando o combate”, exemplificou a chefe da pasta. 

Vice-governadora Celina Leão no CB.Debate com o tema O Brasil — pelas Mulheres: formação para uma cultura de proteção
“Hoje, não esperamos mais o Judiciário. A mulher que chega à delegacia com medo já sai com o aplicativo de proteção instalado no celular. É proteção em tempo real” — Celina Leão, vice-governadora do DF(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

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