Um dos jovens envolvidos no assassinato de Thalita Marques Berquó Ramos, 36 anos, deu detalhes chocantes ao Tribunal do Júri do Guará e descreveu, em detalhes, como o corpo da vítima foi esquartejada. O julgamento acontece nesta quinta-feira (14/5).
Thalita Berquó foi morta aos 36 anos com requintes de crueldade
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Família de Thalita espera condenação e pena máxima para o acusado de matar a mulher
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Grupo fez uma roda de oração diante do Fórum antes do início do júri
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Acusado de matar e esquartejar a mulher chegou escoltado ao Fórum do Guará
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“O sofrimento é muito grande pra todos nós”, disse a mãe de Thalita Berquó ao Metrópoles
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Thalita foi lembrada pela família como “uma jovem carinhosa, humilde e muito ligada à família”
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A vítima foi morta e esquartejada em 13 de janeiro de 2025, em uma área de invasão próxima ao Parque Ecológico Ezechias Heringer. O crime é considerado um dos mais bárbaros do Distrito Federal.
Á época dos fatos, o jovem era adolescente. Ele responde pela morte de Thalita na Vara da Infância e da Juventude por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Nesta quinta-feira, o rapaz foi ouvido no julgamento de João Paulo Teixeira da Silva na condição de testemunha. Ele afirmou que participou diretamente do desmembramento do cadáver e confirmou que partes do corpo foram lançadas em um córrego da região. Segundo ele, cabeça, mãos, braços e partes das pernas da vítima foram descartadas no local.
Em diversos momentos do depoimento, o jovem alegou que estava sob efeito de drogas no dia do crime e afirmou não se lembrar de vários detalhes. Ao ser questionado sobre contradições no relato, ele disse que estava “doidão” e cansado durante toda a ação criminosa.
A declaração foi feita após ser confrontado sobre o fato de ter conseguido esquartejar o corpo sozinho, mas afirmar que precisou da ajuda de outro acusado apenas para enterrá-lo.
“Se você estava tão cansado, tão drogado, e precisou da ajuda do João Paulo para enterrar, como conseguiu desmembrar o corpo sozinho?”, questionou a advogada de acusação.
Em resposta, o jovem insistiu que não se recordava de parte dos acontecimentos.
O rapaz também relatou que o tronco de Thalita foi enrolado em cobertores e enterrado em uma área de mata. Questionado sobre quem teria participado da ocultação do cadáver, ele afirmou que João Paul ajudou a colocar o corpo de Thalita no carrinho de mão, enrolar os restos mortais e enterrá-los.
“Ele ajudou a botar no carrinho, ajudou a enrolar na coberta e ajudou a enterrar o corpo ali”, disse.
O depoimento revela ainda que os envolvidos utilizaram pá, enxada e um carrinho de mão para transportar os restos mortais. Segundo o investigado, os objetos foram buscados após o assassinato.
Em outro trecho, o jovem confirmou que foi ele quem descartou parte do corpo no córrego localizada nas proximidades do parque.
Nos dias que se seguiram ao crime, a cabeça e as pernas de Thalita foram encontradas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Companhia Ambiental de Saneamento do Distrito Federal (Caesb), no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), próximo à Vila Telebrasília.
Ao ser questionado se os acusados teriam combinado versões para despistar a polícia, o réu negou.
Em um dos momentos do depoimento, o jovem foi confrontado sobre a brutalidade do crime e questionado se havia pensado na família da vítima enquanto esquartejava o corpo.
“Você pensou que ela tinha mãe, que tinha um filho de 15 anos?”, perguntou a advogada da família de Thalita.
“Não pensei”, respondeu. Ao final, o jovem afirmou estar arrependido.
Motivação do crime
O primeiro autor identificado pelos investigadores foi um dos adolescentes, que revelou onde o tronco de Thalita havia sido enterrado. A partir das informações fornecidas, os policiais localizaram a parte do corpo da vítima na área da invasão.
Posteriormente, João Paulo Teixeira e um segundo adolescente foram apontados como participantes do homicídio.
De acordo com a investigação, Thalita teria usado drogas no local e entregado o celular como forma de pagamento. Em seguida, houve um desentendimento porque ela quis recuperar o aparelho e chegou a cuspir no rosto de um dos adolescentes envolvidos.
O delegado afirmou que os menores esfaquearam a vítima, enquanto João Paulo a teria agredido com pedaços de madeira e pedras. Um dos menores envolvidos confessou que esquartejou a vítima com faca de açougueiro e descartou os membros do corpo em um córrego.
Antes do início do julgamento, a família de Thalita Berquó conversou com o Metrópoles. A mãe da vítima, detalhou o luto após a morte violenta da filha e disse que o “sofrimento é dilacerante”.







