como um linfoma pode afetar os rins e o coração? Médicos explicam

A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, nesta terça-feira (13/10), trouxe novamente à discussão uma doença que ainda desperta muitas dúvidas: o linfoma não Hodgkin. O artista enfrentava um câncer do sistema linfático desde 2025. Segundo informações divulgadas por sua assessoria, o quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

O que chama atenção é que, embora o linfoma tenha origem em células do sistema imunológico, suas consequências podem ultrapassar o local onde a doença se desenvolveu. Dependendo do subtipo e da evolução, o câncer pode comprometer diferentes regiões do organismo, afetando funções essenciais e exigindo o acompanhamento de várias especialidades médicas.

A oncologista Dra. Roberta Galvão explica que o linfoma não Hodgkin não é uma doença única, mas um conjunto de cânceres que atingem os linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo. Alguns apresentam crescimento lento, enquanto outros podem evoluir de maneira mais agressiva.

“Existem diferentes tipos de linfoma, e cada um tem um comportamento próprio. Alguns pacientes conseguem conviver por muitos anos com a doença controlada, enquanto outros precisam de tratamento imediato. Como o sistema linfático está distribuído pelo corpo, o câncer pode atingir diferentes órgãos. Por isso, identificar exatamente o subtipo e a extensão da doença é fundamental para compreender os riscos e definir o tratamento mais adequado”, explicou.

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do Metrópoles

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Netinho morre aos 60 anos

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No caso de Netinho, outro aspecto que chamou atenção foi a recidiva, termo utilizado quando o câncer volta a ser identificado após uma resposta ao tratamento. Embora a notícia possa provocar a sensação de que não existem mais alternativas, a medicina dispõe de diferentes estratégias terapêuticas, que variam conforme o tipo de linfoma e as condições de cada paciente.

“Uma recidiva não significa necessariamente que o paciente não tenha mais possibilidades de tratamento. Hoje contamos com quimioterapia, imunoterapia e terapias direcionadas, além de outras abordagens indicadas para situações específicas. O grande desafio é compreender como a doença está se comportando naquele momento e avaliar as condições clínicas do paciente para escolher a melhor estratégia”, acrescentou Roberta Galvão.

Mas como um câncer do sistema linfático pode provocar falência renal? A resposta envolve uma série de mecanismos que podem surgir durante a evolução da doença. Os rins são responsáveis por filtrar o sangue, eliminar toxinas e manter o equilíbrio de líquidos e minerais. Quando deixam de funcionar adequadamente, o organismo pode apresentar alterações importantes que afetam outros sistemas.

Segundo a nefrologista Dra. Renata Asnis, pacientes oncológicos podem desenvolver comprometimento renal por diferentes motivos, incluindo infecções graves, desidratação, alterações metabólicas, efeitos de medicamentos e, em determinadas situações, consequências diretas da própria doença.

“Quando os rins perdem a capacidade de filtrar adequadamente o sangue, substâncias que deveriam ser eliminadas começam a se acumular. Isso pode provocar alterações nos níveis de potássio, retenção de líquidos e desequilíbrios importantes no organismo. Em situações mais graves, o paciente pode precisar de diálise e de cuidados intensivos. É uma condição que exige atenção porque os rins participam diretamente do funcionamento de outros órgãos”, explicou.

Uma das preocupações nesses casos é a relação entre a função renal e o coração. O excesso de líquidos pode sobrecarregar a circulação, enquanto alterações de minerais como o potássio podem interferir no ritmo cardíaco. Isso não significa que todo paciente com insuficiência renal desenvolverá complicações no coração, mas demonstra como diferentes sistemas do organismo estão conectados.

A cardiologista Dra. Patrícia Hitomi Kuga explica que o coração pode sofrer consequências importantes quando o organismo enfrenta uma doença sistêmica grave, especialmente diante de alterações circulatórias e metabólicas.

“O coração e os rins têm uma relação muito próxima. Quando existe uma perda importante da função renal, o organismo pode acumular líquidos e apresentar alterações de eletrólitos que interferem diretamente na atividade cardíaca. O potássio elevado, por exemplo, pode provocar arritmias graves. Além disso, em situações de falência de múltiplos órgãos, o coração pode ser afetado por alterações da pressão arterial, da circulação e da oxigenação dos tecidos”, explicou a cardiologista.

O acompanhamento cardiovascular também merece atenção durante determinados tratamentos contra o câncer. Algumas medicações utilizadas na oncologia podem apresentar efeitos sobre o músculo cardíaco, tornando importante a avaliação individualizada dos pacientes, especialmente daqueles que já possuem fatores de risco cardiovasculares.

“Não significa que todo tratamento oncológico vá provocar problemas cardíacos. O que precisamos é identificar os riscos de cada paciente e acompanhar possíveis alterações ao longo do tratamento. A integração entre oncologista, cardiologista e outros especialistas permite reconhecer complicações precocemente e oferecer um cuidado mais completo”, destacou Patrícia Hitomi Kuga.

Embora a evolução de Netinho tenha sido grave, especialistas ressaltam que o diagnóstico de linfoma não Hodgkin não representa necessariamente uma sentença de morte. Muitos pacientes apresentam boas respostas aos tratamentos disponíveis, e alguns subtipos podem alcançar remissão prolongada ou cura.

Os sinais de alerta incluem aumento persistente de gânglios no pescoço, nas axilas ou na virilha, febre sem explicação, suor noturno intenso, emagrecimento involuntário e cansaço persistente. Esses sintomas também podem aparecer em outras condições, mas merecem investigação quando não desaparecem ou surgem associados.





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