Nos últimos dias, o Parlamento italiano tem sido palco de protestos após declarações do atual vice-primeiro-ministro, Antonio Tajani. Em 18 de setembro, durante uma transmissão na agência de televisão Vista, Tajani comparou votar em um partido político tradicional e responsável a escolher como esposa uma mulher que usa saias longas. Após a declaração, parlamentares da oposição começaram a usar saias curtas no trabalho e a compartilhar o protesto nas redes sociais. Além disso, imagens alteradas digitalmente que mostram Tajani usando saias começaram a viralizar em diversos perfis.
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Minissaias no Parlamento
Em 18 de setembro de 2026, o vice-primeiro-ministro da Itália comparou, durante um evento televisionado, a escolha de um partido político à escolha de uma mulher para se casar com base no comprimento de sua saia. Na ocasião, ele afirmou que aconselharia alguém a se casar com uma mulher séria, que usasse “saias mais compridas” ou “menos chamativas”. Segundo ele, essas mulheres seriam mais confiáveis, sérias e boas mães, além de permanecerem fiéis ao casamento.
Dessa forma, as parlamentares da oposição passaram a comparecer à corte usando saias curtas, em protesto e como forma de rebater o comentário de Tajani. Ao mesmo tempo, perfis nas redes sociais começaram a compartilhar fotos de mulheres usando minissaias, acompanhadas de hashtags como #Tajani e #minigonna (minissaia, em italiano). Imagens de Tajani usando saia, criadas com inteligência artificial, também passaram a circular nas redes.
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do Metrópoles
Memes de Antonio Tajani de saia viralizam nas redes sociais
@skansen24/Instagram/Reprodução
Postagem nas redes sociais em protesto às declarações de Tajani
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Memes de Antonio Tajani de saia viralizam nas redes sociais
@durso_marco/Instagram/Reprodução
Memes de Antonio Tajani de saia viralizam nas redes sociais
@matteorenzi/Instagram/Reprodução
De acordo com as participantes do protesto, a fala de Tajani demonstra que a cultura de controle masculino ainda persiste na sociedade italiana. Para elas, posicionamentos como o do vice-primeiro-ministro contribuem para manter a Itália como um terreno fértil para o machismo.
Diante da onda de protestos e comentários, Tajani se pronunciou, afirmando lamentar que declarações de seu discurso tenham sido mal interpretadas.
“Peço desculpas se algumas pessoas se sentiram ofendidas pelo que eu disse, mas nunca tive a intenção de ofender mulheres, nunca o fiz em minha vida, seja na vida privada ou em público”, afirmou o vice-primeiro-ministro da Itália.
Posicionamento da Igreja Católica
A grande repercussão das declarações de Tajani levou a própria Igreja Católica a se pronunciar sobre o caso. Durante a Conferência Episcopal Italiana (CEI), o secretário-geral, monsenhor Giuseppe Batur, afirmou que “cada palavra, cada olhar para as mulheres deve ser permeado de respeito e admiração”.
“Para nós, cristãos, o primeiro lugar onde o Verbo se fez carne foi o ventre de uma mulher. Para aqueles que têm fé, isso molda para sempre a maneira como vemos as mulheres. Por meio do nosso olhar, estabelecemos uma relação com os outros. Devemos demonstrar respeito pelos homens, pelas mulheres, pelas crianças e pelos idosos. No caso das mulheres, esse respeito deve ser ainda maior, dada a frequência com que elas podem ser alvo de olhares superficiais”, completou Batur.
Proibição contra burcas e niqabs
O comentário de Tajani abriu espaço para outra discussão entre as parlamentares italianas, dessa vez relacionada à recente proibição do uso de burcas e niqabs nas escolas da Itália, implementada na semana anterior às declarações do vice-primeiro-ministro. Para parlamentares da oposição ao governo de Giorgia Meloni, é irônico que o governo italiano de direita tenha proibido essas vestimentas, sob a justificativa de proteger a liberdade e a segurança das mulheres muçulmanas, mas seja conivente com um vice-primeiro-ministro que expressa opiniões misóginas.







