cachoeira acumula 4 mortes e acende alerta por fotos à beira do abismo

Belo Horizonte —  A cachoeira onde um casal, de 19 e 21 anos, morreu há uma semana após cair de uma altura de aproximadamente 85 metros, na região da Serra dos Cocais, na zona rural de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, em Minas Gerais, já foi palco de, pelo menos, duas outras duas tragédias nos últimos anos.

De acordo com os bombeiros, em agosto de 2021, um jovem de 19 anos morreu após cair, também, da parte superior da cachoeira enquanto tentava tirar uma foto. Ele teria se desequilibrado e sofrido a queda. As tentativas de posar para retratos no local, à beira do abismo, preocupa autoridades.

Sete anos antes, outro homem, de 20 anos, perdeu a vida alí. Segundo os bombeiros, o acidente não consta nos registros informatizados da corporação, já que, na época, havia uma transição dos registros físicos para os digitais. No entanto, a ocorrência foi atendida pelos militares, conforme o jornal Diário do Aço, em dezembro de 2014.

Na ocasião, as primeiras informações é de que a vítima praticava rapel. Contudo, posteriormente, amigos disseram  que o homem teria escorregado ao tentar atravessar um trecho da cachoeira e caído de uma altura de aproximadamente 20 metros. Os bombeiros enfrentaram dificuldades para resgatar o corpo, que estava em um local de difícil acesso.

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do Metrópoles

“Muito lodo na parte superior”

Nas redes sociais, após a tragédia da segunda-feira passada (12/10), diversos comentários alertam sobre os riscos da Cachoeira da Limeira após o acidente. “Cachoeira perigosa demais. Não tem uma barricada. Infelizmente, ali, um segundo de falta de atenção é fatal. Tristeza demais o que aconteceu”, escreveu uma pessoa. Outra comentou: “Muito perigoso. O povo faz rapel, só para vocês entenderem a altura de que eles caíram!”

Um terceiro internauta afirmou que a cachoeira tem muito lodo na parte superior, onde visitantes insistem em tirar fotos perto da beirada.

Há ainda quem cobre medidas de segurança no local. Um internauta defendeu que a administração municipal deveria exigir dos responsáveis pela cachoeira a instalação de barreiras para proteger os turistas. “Tomara que as famílias entrem com um processo exigindo reparação”, disse.

Bombeiros alertam para risco de foto em “borda infitina”

Os bombeiros também alertam para os riscos da cachoeira. Segundo a corporação, o principal perigo é a queda de grandes alturas. O local tem terreno irregular, pedras escorregadias e quedas d’água elevadas. “Outro fator de risco é a existência de poços naturais na parte superior da cachoeira, próximos a desníveis acentuados”, informou o Corpo de Bombeiros ao Metrópoles. Nessas condições, um simples escorregão ou desequilíbrio pode provocar uma queda fatal.

Um dos pontos que mais chamam a atenção dos visitantes é um poço natural na parte superior da cachoeira, semelhante a uma piscina de borda infinita. Segundo os bombeiros, muitas pessoas se aproximam da borda para tirar fotos, aumentando o risco de acidentes.

Para evitar novas tragédias, os bombeiros orientam os visitantes a manter distância das bordas, principalmente em locais com pedras molhadas ou escorregadias.

“É fundamental evitar a aproximação de precipícios para tirar fotografias, não atravessar cursos d’água próximos às quedas e não realizar saltos ou mergulhos em locais desconhecidos. Também é importante evitar a visitação durante períodos de chuva ou quando houver previsão de tempestades, devido ao risco de aumento repentino do volume de água, fenômeno conhecido como cabeça d’água”, explicou a corporação.

Os bombeiros também recomendam dar preferência a locais regularizados, respeitar as restrições de acesso e procurar profissionais capacitados quando necessário. A corporação reforça que até mesmo quem conhece bem a cachoeira está sujeito a acidentes.

Redes sociais/ Reprodução
Kayk de Oliveira Gomes, de 21 anos, e Kewry Kellem Dias Silva, de 19, que morreram após cair de uma cachoeira na Serra dos Cocais, em Coronel Fabriciano

Sobre o acidente que matou casal

Segundo o Corpo de Bombeiros, a ocorrência foi registrada por volta das 15h45, na Cachoeira da Limeira. De acordo com testemunhas, a mulher começou a escorregar perto da queda-d’água. Ao tentar segurá-la, o homem também perdeu o equilíbrio, e os dois caíram, atingindo as pedras na parte inferior da cachoeira.

Os corpos foram encontrados em uma área de difícil acesso, na parte inferior da cachoeira. A mulher estava submersa na água, enquanto o homem foi localizado entre as pedras, com múltiplas fraturas.  Eles estariam caminhando sobre a borda superior, onde haveria um local para banho.

As duas vítimas são de Ipatinga, na mesma região. Os nomes não foram confirmados pelo Corpo de Bombeiros, mas, segundo o G1, trata-se de Kayk de Oliveira Gomes, de 21 anos, e Kewry Kellem Dias Silva, de 19. Os dois eram pais de um bebê de 11 meses.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e com a prefeitura da cidade para obter informações sobre as recomendações de segurança no local, além do Corpo de Bombeiros, para saber o número de ocorrências registradas na cachoeira, e aguarda retorno.



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