Lula ouviu 20 acusações de corrupção até desafiar Flávio a abrir sigilos

Depois da segurança pública, a corrupção foi o segundo flanco mais explorado por Flávio Bolsonaro contra Lula no debate da Band, neste domingo (18/10). Em ao menos 20 passagens, o senador fez acusações ou insinuações envolvendo o presidente, seu governo e familiares. Mirou Lulinha, filho do petista, e Frei Chico, irmão de Lula, e repetiu suspeitas sobre negócios, patrimônio e dinheiro dos aposentados.

Chegou a perguntar quantos dos presentes já haviam sido condenados ou presos por corrupção e lavagem de dinheiro. Respondeu ele mesmo, dirigindo-se a Lula: “Só você”. Em seguida, saudou Sergio Moro e Deltan Dallagnol, que estavam na plateia.

A desfaçatez estava em usar a prisão como sentença definitiva e omitir o que veio depois: as condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas, e o Supremo reconheceu a parcialidade de Moro na condução dos processos contra o petista. Ao lado dele, Deltan Dallagnol expunha a vergonha de um ex-procurador que, para esta coluna, de investigador não tinha nada: tinha mais era de ativista político da extrema-direita.

Lula também fez acusações e cobrou repetidamente explicações sobre os recursos de Daniel Vorcaro destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro. No terceiro bloco, porém, apresentou um desafio que permitiria submeter as acusações dos dois à investigação: abrir os sigilos bancários e telefônicos dos candidatos e de suas famílias antes da eleição.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

“Ô Flávio, aqui muito se falou de corrupção. Eu vou fazer uma proposta para você. Eu desafio você: amanhã, amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Para que o povo saiba quem é ladrão. Abrir o telefone, o sigilo telefônico, a sua conta bancária. Eu abro da minha família inteira e você abre da sua família e vamos pedir para a Justiça. Nós entregamos ao presidente da Suprema Corte, entregamos ao presidente do TSE o seu documento e o meu para que avalie antes das eleições, o povo saber quem é quem na história desse país, para saber quem é corrupto, quem é ladrão, sabe? Porque senão o povo vai ser enganado outra vez. O povo vai ser enganado porque eu perguntei da casa, você não explicou. Então eu quero fazer esse desafio para você. Tá disposto amanhã a gente pedir…”

O mediador interrompeu porque o tempo havia acabado. Flávio teve a palavra logo em seguida e poderia ter aceitado a proposta diante das câmeras. “Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre, né? Não tá na sua conta, tá em algum outro lugar”, respondeu.

Lula voltou ao desafio perto do fim do debate: “Ao invés de ficar falando que é honesto, prove que é honesto. Abra a sua conta”. Flávio não aceitou. Até que ponto esse desafio não aceito pesará no 25 de outubro, dia do segundo turno das eleições?



Tribunal Brasília

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *