Megaempresário das “bombas do Paraguai” foge de cerco policial

Um dos alvos centrais da operação Narciso, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), conseguiu burlar o cerco policial na tríplice fronteira e encontra-se oficialmente foragido. Trata-se do megaempresário Jorge Luiz Roa, figura bastante conhecida no Paraguai e proprietário da renomada loja de produtos farmacêuticos Jack Center.

Nas redes sociais, Jorge ostentava uma vida de puro luxo, publicando fotos em festas e viagens para locais paradisíacos com familiares. Por trás dos holofotes e da fachada de empresário de sucesso, contudo, a polícia aponta que ele atuava no topo da cadeia do tráfico internacional de substâncias ilícitas.

Jorge é apontado pelas investigações como sócio clandestino de Elisangela Pereira Acosta, a principal fornecedora de medicamentos e insumos anabolizantes para a produção dessas substâncias em laboratórios ilegais espalhados pelo Brasil. Elisangela, que mora em uma mansão de elevado padrão em Foz do Iguaçu e também é sócia de uma das principais lojas especializadas na venda de anabolizantes no Paraguai, mantinha com Jorge uma complexa engenharia criminosa.

Bombas camufladas

Ambos ocultavam as substâncias ilícitas e insumos dentro de peças mecânicas de motocicletas para burlar a fiscalização na fronteira. Uma vez em Foz do Iguaçu, embalavam os produtos e os enviavam para todos os estados brasileiros por meio de plataformas de e-commerce, Correios ou pelo serviço de “freteiros”, pessoas pagas para fazer o transporte clandestino.

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do Metrópoles

Para ocultar e movimentar o dinheiro decorrente da venda das substâncias comercializadas pela “loja de bombas”, a dupla utilizava os serviços de doleiros no Paraguai e em Foz do Iguaçu. Os doleiros indicavam contas bancárias de “laranjas” espalhadas pelo Brasil para que fossem realizados os depósitos dos pagamentos.

Em Foz do Iguaçu também estavam localizados alguns desses laranjas, que emprestavam as contas de empresas de materiais de construção, casas lotéricas e empresas de consultoria com a finalidade de dissimular e ocultar a origem criminosa dos valores.

Enquanto Jorge segue sendo procurado pelas forças de segurança, as autoridades conseguiram prender Elisangela e o sócio de outra ramificação, Roberto Carlos, o “Jiraya”, em solo paraguaio. Laranjas e outros integrantes do esquema também foram detidos durante as diligências.

Veja imagens de Jorge Luiz Roa:

A operação

Nas primeiras horas de quarta-feira (12/8), a Operação Narciso foi deflagrada e já é considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e substâncias proibidas no Brasil. A investigação revelou uma engrenagem criminosa voltada à fabricação caseira, fornecimento de insumos, rotulagem, divulgação e comercialização de anabolizantes, medicamentos controlados, produtos veterinários e suplementos com substâncias ocultas.

O esquema contava com conexões em oito estados além do Distrito Federal — Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais —, mantendo uma ponte direta com a fabricação clandestina no Paraguai.

Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão preventiva e temporária e 64 mandados de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio e sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros e a quebra de sigilo bancário de 58 alvos. Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, 10 veículos de luxo apreendidos — incluindo automóveis Porsche, Audi e Mercedes — e mais de 30 sites de venda ilegal foram tirados do ar.

“Cozimento” fatal

De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Rodrigo Carbone, o coração do esquema operava sob o termo “cozimento”: a fabricação artesanal de substâncias injetáveis e orais em fundos de quintal, cozinhas residenciais, depósitos e locais improvisados, em fogo alto e sem qualquer assepsia ou controle sanitário.

Para aumentar o rendimento dos produtos e maximizar os lucros, os criminosos misturavam matérias-primas importadas da Índia, China e Paraguai a ingredientes altamente perigosos, como óleo de cozinha comum e óleos de semente de uva e de arroz manipulados sem esterilidade.

A ausência de controle técnico e a contaminação nos processos têm provocado reações alérgicas graves, infecções severas e abscessos nos usuários, enquanto a viscosidade inadequada dos óleos causa embolias, tromboses e sepse, levando vítimas a óbito, como no recente caso de uma fisiculturista em Samambaia. O uso contínuo ainda acarreta riscos de AVC, hipertrofia cardíaca e impotência sexual.



Tribunal Brasília

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