“É revoltante, é desumano.” A frase é de Juliana Korosi Paiva, mãe do soldado Christian de Paiva Korosi, morto aos 19 anos dentro de um quartel do Exército, em São Paulo. Há dois anos e quatro meses, ela tenta provar que o filho não cometeu suicídio, como concluiu a investigação militar.
A indignação ganhou força após o Ministério Público Militar (MPM) rejeitar mais um pedido para reabrir o caso. A decisão, assinada nessa quarta-feira (4/11), considera que um novo parecer técnico apresentado pela família não trouxe provas inéditas capazes de justificar outra investigação.
Mãe e filho em um fim de semana em casa
Arquivo Pessoal
Juliana, Christian e a irmã mais nova, Izadora
Arquivo Pessoal
“Eu tô muito nervosa … porque tiraram a vida do meu filho lá e estão fazendo de tudo para esconder isso”, desabafou Juliana à coluna, na manhã desta quinta-feira (5/11).
Christian morreu em 27 de julho de 2024, atingido por um tiro de fuzil na cabeça, enquanto trabalhava como sentinela no 2º Batalhão de Suprimento, na zona oeste paulistana.
O que diz o Ministério Público
O promotor Renato Brasileiro de Lima sustenta que o novo documento apresentado pela família apenas questiona conclusões periciais já analisadas anteriormente.
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do Metrópoles
Segundo ele, a elaboração de outro parecer por uma entidade privada não representa, por si só, uma prova nova. A Promotoria afirma que os laudos oficiais e os depoimentos colhidos apontam para suicídio, sem evidências de participação de terceiros.
A decisão determina o arquivamento do novo atendimento e estabelece prazo de dez dias para eventual recurso.
Carta anônima
Juliana questiona a falta de acolhimento e também mencionou ter recebido uma carta anônima na qual o autor, que se diz soldado, afirma que estava no quartel no dia da morte.
Segundo a mãe, o documento relata supostas perseguições e humilhações praticadas por dois tenentes contra Christian, além de mencionar câmeras de segurança que estariam funcionando e o possível apagamento de evidências.
“Todo mundo sabe o que aconteceu e tem medo de falar”, afirmou Juliana, ao reproduzir o conteúdo atribuído ao militar.
Ela questiona quais provas ainda seriam necessárias para convencer as autoridades a investigar novamente a morte.
Nova frente de luta
Paralelamente, Juliana procurou a Defensoria Pública da União (DPU), denunciando supostas irregularidades na investigação.
Em relatório de setembro, a DPU registrou questionamentos sobre a apuração e relatos de possíveis perseguições ao soldado. O órgão, porém, considerou insuficientes os documentos disponíveis para concluir pela existência de violações de direitos humanos e solicitou novos elementos à família.
Juliana pretende encaminhar também a recente negativa do MPM à Defensoria, enquanto aguarda resposta sobre sua denúncia.
“Dois anos e quatro meses que eu não tenho meu filho, dois anos e quatro meses que eu luto”, lamentou.
Contradições apontadas no laudo
Como já revelou o Metrópoles, a perícia particular contratada pela família do soldado identificou inconsistências na investigação do Exército, incluindo sinais de tiro encostado e de disparo à curta distância descritos no laudo oficial, divergências sobre a trajetória do projétil e falhas na preservação da cena.
O parecer também questionou a demora de 58 dias para o envio do fuzil à perícia e a entrega do celular de Christian à família somente sete meses após a morte, sem que o aparelho tivesse sido periciado.
Esses apontamentos, porém, já foram analisados pelo Ministério Público Militar, que considera não haver elementos novos suficientes para justificar a reabertura do caso.








