A Justiça do Distrito Federal marcou a data da audiência de instrução dos técnicos de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, 28, Marcela Camilly Alves da Silva, 22, e Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo, 24. O trio é acusado de matar três pacientes dentro da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
A sessão foi marcada para 27 de maio no Tribunal do Júri de Taguatinga. A audiência de instrução serve para a produção de provas orais no processo.
As defesas dos técnicos de enfermagem chegaram a apresentar novos pedidos de solturas que foram negadas pelo juiz. Os profissionais de saúde seguem presos. Marcos está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto Amanda e Marcela estão na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF).
Em 12 de março, o Ministério Público (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Com a anuência da Justiça, os técnicos agora se tornaram réus.
Marcos Vinícius e Marcela Camilly foram denunciados por três homicídios, enquanto Amanda Rodrigues irá responder por dois. Os técnicos também devem responder por algumas tentativas de homicídio.
De acordo com as investigações, o trio teria injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em ao menos três pacientes: João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
O crime aconteceu no Hospital Anchieta
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Três profissionais são investigados pelo crime
Arte Metrópoles/Lara Abreu
Ao menos três pessoas foram mortas ao receberam a injeção letal
Material cedido ao Metrópoles
Técnico foi preso em ação da Polícia Civil do DF após denúncia do hospital
Material cedido ao Metrópoles
Câmeras de segurança do hospital mostram o momento em que o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, prescreve substância letal
Material cedido ao Metrópoles
Técnicos acessavam sistemas com senhas de médicos
Material cedido ao Metrópoles
As vítimas de técnicos de enfermagem do Hospital Anchieta
Arte/Metrópoles
Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.
Veja a cronologia do caso
- Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
- Àquela altura, porém, o caso ainda não havia vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de dezembro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos.
- Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 injetaram altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75 (os três na foto em destaque).
- Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.
- O Metrópoles obteve imagens dos técnicos de enfermagem injetando substâncias que mataram os três pacientes. Os acusados aumentavam as doses dos remédios em até 10 vezes, tornando-os tóxicos e letais. Em um dos casos, eles chegaram a ministrar desinfetante nas vítimas.
Investigação de novas seis mortes
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) passou a investigar ainda em março outras seis mortes ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
As mortes investigadas ocorreram em dezembro de 2025. A 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga) é responsável por apurar o caso.
De acordo com a delegacia, os óbitos sob investigação são de pessoas entre 73 e 83 anos. Todos eles tiveram paradas cardiorrespiratórias repentinas, o que fez as famílias procurarem a Polícia Civil.
Desde o início da investigação do caso, o Hospital Anchieta reforçou que foi a própria unidade de saúde que denunciou a ação criminosa dos suspeitos e informou que instituição acompanha com atenção o andamento das investigações.







