Um esquema semelhante ao investigado na fraude bilionária do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em que aposentados tiveram valores descontados sem autorização para beneficiar associações, foi identificado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) no Banco de Brasília (BRB).
A suspeita é de que clientes do banco, principalmente servidores e idosos, tenham sofrido débitos automáticos indevidos realizados pela associação Centro de Assistência e Integração dos Servidores Públicos (Cassisp).
A 24ª Vara Cível de Brasília determinou, em decisão liminar, a suspensão imediata dos descontos vinculados à entidade. O BRB terá prazo de 48 horas para cumprir a decisão. Em caso de descumprimento, a multa prevista é de R$ 50 mil por débito realizado.
Segundo o MPDFT, a Cassisp foi criada em 2024 e firmou um convênio com o BRB que permitia a cobrança automática de mensalidades associativas e planos de assistência jurídica diretamente das contas dos clientes.
As investigações apontam que muitas das supostas autorizações eram obtidas por telefone, sem comprovação adequada da identidade dos correntistas nem confirmação real do consentimento para os descontos.
O Metrópoles acionou o BRB e a Cassisp e, até a publicação da matéria, não havia recebido resposta. O espaço segue aberto para manifestações.
Mais de mil reclamações
De acordo com o promotor de Justiça Leonardo Jubé, responsável pelo caso, o banco teria mantido os débitos mesmo após mais de mil pedidos de cancelamento e reclamações feitas pelos clientes.
Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o esquema investigado teria movimentado mais de R$ 1 milhão em cerca de 20 mil débitos processados.
Assim como ocorreu no esquema investigado no INSS, os descontos eram feitos em valores considerados baixos, o que dificultava a identificação imediata das cobranças pelos correntistas.
O MPDFT informou ainda que a Cassisp não apresentou documentos considerados válidos para comprovar a adesão dos clientes nem provas da prestação dos serviços oferecidos.
Diante das suspeitas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros da associação e de seus dirigentes até o limite de R$ 1,1 milhão. Também foi autorizada a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos para rastrear o destino dos valores arrecadados.
O processo segue em tramitação e poderá resultar na responsabilização dos envolvidos e na devolução dos valores descontados dos clientes.







